Os números divulgados esta terça-feira pelas autoridades de Saúde revelam, de novo, que o Norte é a região do país mais afetada pela pandemia de Covid-19.

No total, a região Norte de Portugal acumula cerca de 60% dos casos confirmados do novo coronavírus.

Três autarcas das regiões mais atingidas pela pandemia estiveram no Jornal das 8 da TVI para debater por que razões o Covid-19 atinge mais o Norte de Portugal. Foi ainda procurado perceber como é que os autarcas avaliam a situação nos respetivos concelhos e a resposta que têm obtido por parte das autoridades de saúde.

Em análise esteve também o que cada autarca considera prioritário fazer, nesta fase da pandemia, nas respetivas autarquias.

O presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, começou por recordar que os primeiros casos em Portugal apareceram na região Norte do país e relaciona este facto com as com viagens dos empresários a Itália.

O facto dos primeiros casos surgirem no norte não é irrelevante", salientou Ricardo Rio.

Braga é o 6.º concelho do país mais infetado, no entanto o autarca alerta para a falta de informação no que diz respeito ao número de testes efetuados por concelho.

Ainda sobre esta região, Ricardo Rio frisou que existem mais casos positivos em lares de idosos em Braga, que infetados, por exemplo, "em Cascais ou Coimbra, ou outras cidades de média dimensão".

Em Braga, 50% dos infetados estão em instituições de idosos", disse o autarca.

Foi em Vila Real que ocorreu o primeiro exemplo dos idosos infetados em lares e centros de dia. Rui Santos, autarca de Vila Real, falou sobre a forma como os lares de idosos têm sido afetados por esta pandemia, referindo especificamente o exemplo do Lar de Nossa Senhora das Dores que foi um foco de contágio, tendo contribuído para mais de 100 contágios indiretos.

Explicando que, no distrito de Vila Real, a população é idosa e com patologias várias, questionou porque começaram a ser feitos mais testes no Sul, apesar da prevalência de casos no Norte. 

Não percebo a dificuldade. Porque é que, havendo no Norte uma taxa de incidência de cerca de 60%, e 57% de óbitos, os testes começaram no Sul?", questionou o autarca.

Quanto a ventiladores, afirmou que não chegou nenhum novo ao Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro

Sabem quantos ventiladores chegaram ao centro hospitalar de Trás os Montes e Alto Douro? Zero. Não chegou ainda nenhum ventilador novo", revelou Rui Santos. 

O presidente da Câmara Municipal de Ovar, Salvador Malheiro, começou a sua intervenção no debate por admitir que o concelho está, há cerca de um mês, numa situação muito complicada devido à pandemia. 

"Não podemos estar à espera do nosso Governo central", assinalou, dizendo que foi necessário implementar medidas locais "senão teríamos uma catástrofe no concelho de Ovar". 

O autarca assinalou ainda que, desde 20 de março, o concelho tem "uma velocidade cruzeiro de testes" para despistar Covid-19. 

Salvador Malheiro admitiu estar "relativamente otimista" relativamente à percentagem de infetados na região, que tem vindo a decrescer. Atualmente, está nos 10%.

Aperceção que eu tenho é que o problema esta longe de estar resolvido. Irei fazer tudo para que as medidas tenham de continuar, porque não existe economia sem pessoas saudáveis", concluiu Salvador Malheiro.

O antigo ministro da Economia e antigo presidente da Comissão de Coordenação da Região Norte, Luís Braga da Cruz, também se juntou a debate para esclarecer o ponto de vista económico do impacto da pandemia de região para região.

Braga da Cruz explicou que Portugal não é um país homogéneo e que a manifestação da epidemida "foi mais severa no Norte porque é uma região fundamentalmente exportadora", obrigando a deslocações dos empresários às feiras internacionais. 

O antigo ministro disse ainda que importa esclarecer se houve assimetria no apoio sanitário, apesar das assimetrias regionais. Mas admite que "alguma coisa funcionou bem em Portugal e temos de estar orgulhosos disso". 

Se nos compararmos com Espanha, alguma coisa funcionou bem em Portugal", disse Braga da Cruz.

O número de mortes por Covid-19 em Portugal subiu para 567 nas últimas 24 horas, anunciou a Direção-Geral da Saúde (DGS), nesta terça-feira. São mais 32 mortos do que no balanço anterior, o que representa um aumento de 6%. 

O relatório, com dados atualizados até às 24:00 de segunda-feira, indica que a região Norte continua a ser a que regista o maior número de mortos (321), seguida do Centro (131), da região de Lisboa e Vale Tejo (102) e do Algarve, com nove mortos. 

Rafaela Laja