(ACTUALIZADA ÀS 13:20 HORAS)

O arguido do processo «Face Oculta» e funcionário da Refer José Valentim esteve esta manhã a ser ouvido no Juízo de Instrução Criminal de Aveiro, onde têm sido interrogados os arguidos deste caso.

O arguido entrou pelas 9:20 da manhã e saiu pelo meio-dia, aguardando que o JIC António Costa Gomes lhe fixe a medida de coacção, ao princípio da tarde.

A informação foi adiantada aos jornalistas pelo advogado do arguido, Carlos Duarte, acrescentando que o arguido também foi ouvido pelo procurador João Marques Vidal.

O advogado refere ainda estar «optismista» em relação à medida de coacção que será aplicada ao seu cliente.

José Valentim é um quadro da REFER que tem responsabilidades na área de gestão de resíduos.

À saída, Carlos Duarte escusou-se a adiantar os crimes por que o seu cliente está indiciado. Quanto às prováveis medidas de coacção a fixar, disse: "Não há razões para não estar optimista".

Entretanto, o arguido do processo «Face Oculta» Namércio Cunha continua esta segunda-feira a ser interrogado pelo juiz de instrução de Aveiro, após a sua inquirição ter sido interrompida sexta-feira, por não ser possível concluir a audição antes do fim-de-semana, refere a Lusa.

Segundo a investigação, Namércio Cunha estabelecia a ponte entre o principal arguido, o empresário Manuel Godinho, e a Rede Eléctrica Nacional (REN), a empresa dirigida por José Penedos, outro arguido do processo.

Desde o dia 30 de Outubro, aquando do início dos interrogatórios judiciais, um arguido foi colocado em prisão preventiva (o empresário Manuel José Godinho) e dois outros foram suspensos de funções: Manuel Guiomar, quadro da Refer, e Mário Pinho, funcionário da Repartição de Finanças de São João da Madeira.

A Polícia Judiciária (PJ) desencadeou no dia 28 de Outubro a operação Face Oculta em vários pontos do país, no âmbito de uma investigação relacionada com alegados crimes económicos de um grupo empresarial de Ovar que integra a O2-Tratamento e Limpezas Ambientais, a que está ligado Manuel José Godinho.

No decurso da operação foram efectuadas cerca de 30 buscas, domiciliárias e a postos de trabalho, e 15 pessoas foram constituídas arguidas, incluindo Armando Vara, vice-presidente do Millennium BCP (que já suspendeu as funções), José Penedos e o seu filho Paulo Penedos, advogado da empresa SCI-Sociedade Comercial e Industrial de Metalomecânica SA, de Manuel José Godinho.

Um administrador da Indústria de Desmilitarização da Defesa (IDD) também foi constituído arguido no processo Face Oculta, segundo o presidente da EMPORDEF, a holding das indústrias de defesa portuguesas.
Redação / CR