O Pingo Doce anunciou, esta quarta-feira à tarde, a suspensão de funções de cinco colaboradores alegadamente implicados num esquema de corrupção que envolvia uma empresa de fornecimento de peixe fresco. Em comunicado enviado às redações, a empresa do Grupo Jerónimo Martins confirma as buscas da Polícia Judiciária na plataforma logística da Azambuja. 

De acordo com o comunicado, a investigação surgiu depois de denúncias efetuadas pelo próprio Pingo Doce "por suspeitas de prática de crimes de corrupção privada e branqueamento de capitais, envolvendo alguns
dos seus colaboradores e fornecedores".

As alegadas práticas terão sido levados a cabo em benefício próprio dos autores e em grave prejuízo da empresa que, tal como até aqui, se mantém inteiramente disponível para continuar a colaborar com as autoridades no apuramento dos factos", acrescenta o Pingo Doce em comunicado.

A Polícia Judiciária, através da Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC), anunciou, esta quarta-feira de manhã, a detenção de quatro pessoas pela prática dos crimes de corrupção passiva e ativa no sector privado e branqueamento de capitais. A TVI sabe que se tratam de dois altos funcionários, responsáveis pela central de compras da cadeia de supermercados do Pingo Doce, por corrupção passiva, e dois responsáveis da empresa de fornecimento de peixe, por corrupção ativa.

Os dois funcionários suspeitos por corrupção passiva terão recebido mais de um milhão de euros em subornos de uma empresa de fornecimento à qual era dada prioridade para a compra de peixe fresco para os supermercados Pingo Doce, em detrimento de concorrentes com propostas mais competitivas, lesando financeiramente a Jerónimo Martins.

Além dos quatro detidos - três homens e uma mulher, com idades compreendidas entre os 40 e 65 anos de idade -, há ainda outros seis funcionários da Jerónimo Martins constituidos arguidos - nomeadamente um funcionário que exerce funções na Polónia.

Fonte policial adiantou à agência Lusa que os casos de corrupção foram denunciados pela própria empresa Pingo Doce, que colaborou na investigação executada pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção.

A mesma fonte acrescentou que alguns dos detidos são funcionários "já com alguma responsabilidade na empresa" e que atuavam "ao nível da rede" que integra o grupo económico.

A PJ refere em comunicado que a ‘Operação Rappel’ foi desencadeada na zona da Grande Lisboa, tendo sido realizadas 18 buscas, apreendidas várias viaturas de gama alta, diversos documentos, material informático, outro material relacionado com a prática da atividade criminosa e ainda cerca de 400 mil euros em dinheiro.

Durante a operação, foram detidos três homens e uma mulher, tem idades entre os 40 e 65 anos, e constituídos 10 arguidos.

Os detidos serão submetidos a primeiro interrogatório judicial para aplicação de medidas de coação.

A investigação prossegue no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Loures, para se determinar "todas as condutas criminosas e o seu alcance".