1 - Tudo a descer, mas Lisboa mantém a maior incidência de casos

André Peralta Santos, da Direção-Geral da Saúde, revelou que Portugal tem registado “uma consolidação da tendência de descida” de casos de covid-19, sublinhando que o país tem uma incidência de 302 casos por 100 mil habitantes.

Apesar de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Centro apresentarem uma incidência superior a 480 casos por 100 mil habitantes, o especialista sublinhou que há “um claro desagravamento da situação”. Há também uma consolidação semanal da descida do número de óbitos na ordem dos 37%. 

2- O risco de transmissão é o mais baixo da Europa

O índide de transmissibilidade (RT) da doença em Portugal é neste momentode 0,67, o que é o valor mais baixo desde o início da pandemia e o mais baixo da Europa, revelou Baltazar Nunes, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.

A tendência de redução é acentuada sobretudo desde 22 de janeiro, quando se aplicou um novo pacote de medidas de confinamento, incluindo o encerramento das escolas, e está abaixo de 1 em todas as regiões do país.

3 - No final de março haverá menos de 200 internados em UCI

Se se mantiver a tendência, é possível prever que, até à segunda quinzena de março, o número de casos estará abaixo dos 2400 e o número de camas ocupadas nem UCI estará abaixo das 300. No final de março, haverá menos de 200 internados em UCI, acredita Baltazar Nunes.

No entanto, sublinha este especialista, "tudo isto vai depender do grau de implementaçao das medidas e dos comportamentos da população, assim como do controlo das novas variantes". "Nada do que prevemos está garantido", avisa.

4- 48% dos casos são já da variante britânica 

A variante britância já representa cerca de 48% do número de casos ativos do país e esse número pode “subir exponencialmente” caso o desconfinamento seja apressado, alertou João Paulo Gomes, do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge.

Esta variante, que já foi detetada em 87 países desde dezembro, apresenta uma tendência de domínio “do cenário epidemiológico dos países” onde entra, afirmou o especialista.

5 - Variante brasileira só tem uma cadeia de transmissão

Em relação às outras variantes, nomeadamente as variantes conhecidas como sul-africana e brasileira, o perito do INSA João Paulo Gomes referiu que se mantêm os quatro casos em Portugal associados à mutação detetada na África do Sul e que foi anunciada no domingo a deteção de sete casos da variante do Brasil, habitualmente reportada à região de Manaus.

"Apesar de se tratar de sete casos, não estamos a falar de sete introduções distintas; é uma única introdução, referimo-nos a dois ‘clusters’ familiares ligados entre si - uma mesma cadeia de transmissão. E isso é uma boa notícia”, salientou.

6- O objetivo é ter, em março, 242 doentes em UCI

Para conseguir dar resposta à pandemia, foi feito um esforço enorme de reforço das unidades de cuidados intensivos. João Gouveia, responsável pela coordenação da Resposta em Medicina Intensiva, considera que, no futuro, é necessário manter 914 camas de UCI - das quais 624 estarão destinadas a outras patologias e 285 ficarão só para doentes covid.

O que, como o desejavel é que a taxa de ocupação não seja superior a 80%, significa que o objetivo é ter, em março, apenas 242 doentes internados com covid-19 em UCI.

"A situação da medicina intensiva em Portugal é muito frágil porque a capacidade instalada é muito enganadora, não é real”, diz João Gouveia que diz que para se chegar a um ponto ótimo “é preciso completar as obras em curso e principalmente assegurar recursos humanos com a realização de concursos e a contratação de enfermeiros para a medicina intensiva”.

7 - Pico de janeiro não foi exclusivo de Portugal

O pico da pandemia foi atingido em janeiro em todo o mundo, e não apenas em Portugal, afirmou Henrique de Barros, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto.

Toda a União Europeia e o Reino Unido, mas também os EUA, os países da América do Sul e outros países registaram picos ou agravamento da situação pandémica no início de 2021. "Isto leva-nos a pensar que é preciso compreender o que se passa" e não nos centrarmos só nos indicadores nacionais, avisa.

8 - Ansiedade e agitação: covid-19 afeta também a saúde mental

Um em cada quatro portugueses sentiu ansiedade o período da pandemia, revelou Carla Nunes, da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa. A especialista precisou que "quase todos os dias se sentiram agitados ou ansiosos um em cada quatro portugueses”, e que estes indicadores não podem ser descurados.

A situação melhorou quando os números da infeção começaram a reduzir-se e a perceção de risco de vir a ficar infetado com covid-19 baixou de 73,5% em janeiro para 56,5% em fevereiro. 

9 - Imunidade de grupo poderá ser atingida em agosto

A imunidade de grupo 70% pode ser atingida no início de agosto em Portugal, revelou Henrique Gouveia e Melo, coordenador da Task Force para o Plano de Vacinação contra a Covid-19. 

"Há uma expectativa mais positiva relativamente ao segundo trimestre e muito mais positiva relativamente ao terceiro e quarto trimestres. Se estas expectativas de disponibilidades de vacinas se mantiverem e materializarem num futuro próximo", a imunidade de grupo poderá ser alcançada mais cedo do que se previa.

10 - 100 mil vacinas por dia no segundo trimestre

A velocidade de vacinação neste primeiro trimestre foi reduzida, mas tem vindo a aumentar e poderemos ter capacidade para aplicar 100 mil vacinas por dia já no 2º trimestre, afirmou Gouveia e Melo.

Isto "fará com que se tenha de pensar em modelos alternativos aos centros de saúde nos cuidados primários para que este processo de vacinação corra sem problemas nas inoculações”.

Maria João Caetano