No rescaldo da entrevista a António Costa no Jornal das 8, Miguel Sousa Tavares, Paulo Portas, Fernando Medina e Pedro Santos Guerreiro juntaram-se para discutir como as palavras do primeiro-ministro vão afetar o presente e o futuro dos portugueses.

Para Miguel Sousa Tavares, o primeiro-ministro respondeu a tudo que podia responder. Até porque “há coisas que não quis e que não podia responder, porque não sabe”.

Costa tem de seguir os pareceres dos técnicos e que, muitas vezes, vão contra o senso comum” e, dessa forma, o seu “instinto político vale-lhe por muito pouco”.

O comentador da TVI afirma que nenhum primeiro-ministro viveu uma situação destas, tanto no campo económico, como no campo da saúde pública e está a navegar à bolina.

Já Paulo Portas argumenta que o grande problema da entrevista foi o tempo.

A entrevista tem um problema, sabendo eu que todos os primeiros-ministros na Europa estão a aprender em ação, chama-se tempo. Tanto na parte da preparação do SNS, como na parte da ecoomia, como na parte da contratualização com o setor social”, afirma.

Portas explica que quando Costa fala de uma compra “gigantesca" de material e equipamento para o SNS, “todos nós temos a percepção que aconteceu um lapso”, admite, sublinhando que existiu um alerta global para a crise gerada pelo novo coronavírus a 31 de janeiro e só passados 40 dias é que foi arredado o visto do Tribunal de Contas.

Fernando Medina afirma que Costa fez um diagnóstico preciso e claro daquilo que vamos viver durante tempo indeterminado, explicando ainda que quem ache que uma estratégia de confinamento rápido resolve uma situação destas, está a fazer um grande lapso de análise.

Não devemos trabalhar para uma crise que se resolverá de um mês a mês e meio”, afirma.

Pedro Santos Guerreiro alerta para o risco de a Europa se desfazer, sublinhando que as dificuldades de uma economia forte são replicadas de uma forma muito mais dura nas economias mais frágeis.

Estamos dependentes de uma grande decisão alemã e francesa sobre o futuro europeu. Uma decisão que vai jogar muito com o que vai acontecer em Itália”, afirma.

O jornalista sublinha que no pior ano da recessão da troika, a queda do pib foi de 4%. 

Ainda assim, o aumento do desemprego pode ser mais brando devido ao apoio do Estado através do Lay Off.

Sobre o primeiro-ministro pedir para os portugueses aguentarem três meses todos juntos, Pedro Santos Guerreiro sublinha que a linha dos três meses vai permitir que a União Europeia desenvolva novos mecanismos de apoio e solidariedade que permita ao Governo formular uma nova bateria de medidas de apoio.

/ HCL