A região de Lisboa e Vale do Tejo é a que concentra atualmente mais preocupações por causa da covid-19 junto do Governo e das autoridades de saúde. Mas é no concelho de Lisboa que a situação é mais grave, o que parece não demover grande parte da população mais jovem.

Esta quinta-feira a capital entrou para a lista de municípios em alerta, e ainda que a revisão da matriz de risco possa vir a ser uma realidade, existe um risco sério de que a autarquia ultrapasse os 240 casos por 100 mil habitantes nas próximas semanas, ficando muito acima do limite de 120 casos por 100 mil habitantes definido.

Também esta quinta-feira, e ignorando muitas das regras em vigor, centenas de jovens, em diversos pontos de Lisboa, mostraram que estão descontraídos em relação à pandemia.

TVI saiu em reportagem, para tentar perceber como se faz a vida noturna na capital, numa altura em que bares e discotecas continuam fechados, os restaurantes encerram às 22:30 e nem sequer é permitido consumir álcool na via pública.

Começando pelo Príncipe Real, a despreocupação dos jovens, aliada à melhoria do estado do tempo, parece levar a um certo relaxamento perante as medidas de segurança.

Noutro ponto da cidade, no Arco do Cego, junto ao Saldanha, centenas de estudantes aproveitam a zona do jardim para se reunirem e consumir bebidas alcoólicas, algo que reconhecem ser proibido.

Sabemos [que não podemos consumir álcool na via pública]. Já que o bar estava cheio, vimos para aqui", diz uma jovem, acompanhada por colegas, quase todos a consumirem cervejas.

Quando questionada sobre a atual situação pandémica na cidade, a rapariga é taxativa: "Nem pensamos nisso, só pensamos em conviver juntos".

Voltando à zona da baixa, e passando pelo Bairro Alto, onde os restaurantes cheios "despejam" os clientes na rua às 22:30, importa perceber para onde vão todas estas pessoas.

Não foi preciso andar muito, e no miradouro de São Pedro de Alcântara, um pouco mais acima, centenas de jovens reuniram-se, como se de um dia normal se tratasse.

Para ser honesto, eu estou de férias, vim para festejar. Máscara? Oh meu Deus, onde está a minha máscara", diz um turista entrevistado pela TVI.

Estes dois locais fazem parte da freguesia da Misericórdia, uma das que já tem mais de 240 casos por 100 mil habitantes.

Chegada ao local, a PSP acaba por intervir e dispersar os jovens sem recurso à força, até porque, como explica um dos agentes, o objetivo principal é não causar ainda mais desacatos ou provocar confrontos entre as autoridades e os grupos ali presentes.

Terminada mais uma noite, todos vão para casa, mas ninguém sai multado.