O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, afirmou esta segunda-feira que a medida que obriga à apresentação de um teste negativo para ir almoçar ou jantar a um restaurante “não faz sentido nenhum” e que as autoridades deveriam procurar uma abordagem diferente, com os restaurantes a terem um espaço dedicado aos clientes vacinados e outro para os clientes não vacinados.

Secalhar, nos restaurantes, os autotestes vão ter de acabar. Não faz sentido nenhum. Autotestes nos restaurantes para as pessoas irem almoçar e jantar não faz sentido nenhum”, criticou o bastonário, em declarações à TVI24.

Sobre qual a alternativa a apresentar ao modelo atual, Miguel Guimarães propôs um sistema em que os restaurantes tenham um espaço dedicado para os clientes que estão vacinados e outro para os que não estão.

Devíamos ter uma perspetiva diferente, mais focada no esquema vacinal completo, dentro do certificado digital covid-19, e os restaurantes organizarem-se com mesas para quem tem o certificado e para quem não tem o certificado”, propôs.

Guimarães considera ainda importante que os espaços de restauração tenham um selo para que os clientes possam conferir se todos os trabalhadores daquele espaço estão ou não vacinados.

É mais importante os restaurantes terem um selo cá fora a dizer: 'neste restaurante, todos os nossos colaboradores estão vacinados', do que propriamente as pessoas terem que apresentar um certificado ou um autoteste”, frisou o bastonário da Ordem dos Médicos.

O bastonário da Ordem dos Médicos falou ainda acerca da vacinação de crianças e adolescentes dos 12 aos 15 anos, sublinhando que a DGS tem já evidências científicas para tomar uma decisão “mais abrangente” e, dessa forma, proteger os mais jovens.

Miguel Guimarães teceu ainda duras críticas às falhas de comunicação das autoridades de saúde, que considerou serem "terreno fértil para os negacionistas". 

Falhas de comunicação são o terreno mais fértil para os negacionistas. Nós temos um conjunto de pessoas que são contra as vacinas desde o início. Este tipo de situações, onde se criam muitas dúvidas, onde há dúvidas sobre o que se deve ou não fazer, são o terreno mais fértil para estes movimentos negacionistas crescerem", considerou.