Os centros comerciais e Lojas do Cidadão na região de Lisboa vão reabrir apenas a 5 de junho, decidiu o conselho de ministros, perante o aumento de novos casos de Covid-19 naquela área geográfica. 

De acordo com as medidas definidas esta sexta-feira em Conselho de Ministros, também as lojas com mais de 400m2 vão permanecer encerradas, assim como as feiras que continuam suspensas.

“Temos também consciência de que muitos lojistas ou profissionais da restauração tinham tudo preparado para reabrir a sua atividade dentro dos centros comerciais [da Área Metropolitana de Lisboa] na próxima segunda-feira e por isso não queremos manter por um período de incerteza excessivo aquilo que é uma frustração seguramente para todos que pensavam abrir segunda-feira e que não vão abrir”, explicou António Costa.

Por este motivo, o Governo decidiu não adiar esta questão por 15 dias, mas sim “reavaliar na próxima quinta-feira, dia 04, no próximo Conselho de Ministros”, se há ou não “condições para permitir a reabertura”, avançou o primeiro-ministro.

“Porque é que fixamos este período de uma semana? Porque vamos fazer um esforço muito grande para que todo o esforço de testagem e despistagem dos focos que temos vindo a verificar associados à construção civil e associados ao trabalho temporário”, justificou.

Assim, de acordo com António Costa, daqui a uma semana já será possível “ter resultados até à próxima quinta-feira” e nessa altura “conseguir identificar melhor as cadeias de transmissão, proceder ao isolamento dos casos de pessoas infetadas que têm de ser isoladas, do isolamento das pessoas que com eles estão em contacto regular e que devem também ser sujeitos a confinamento obrigatório”.

“Contendo na fonte o risco de pandemia, podemos então na quinta-feira autorizar aquilo que agora adiamos que não se possa concretizar já nesta segunda-feira”, antecipou.

Na apresentação da terceira fase do plano de desconfinamento, o primeiro-ministro, António Costa, disse que a avaliação do desconfinamento é positiva para a generalidade do país, mas “motivo de preocupação” na evolução na Área Metropolitana de Lisboa.

“A avaliação que fazemos é positiva para a generalidade do pais, havendo motivo de preocupação no que diz respeito à evolução na área metropolitana de Lisboa”, assumiu.

Sublinhando que Alentejo, Algarve, Norte e Centro "têm tido um nível de evolução essencialmente estável", com um "forte decréscimo de incidência", António Costa contrapôs que a região de Lisboa e Vale do Tejo "tem tido um aumento muito significativo do número de casos" de covid-19.

"Esta situação não revela uma situação, de forma alguma, de descontrolo", afirmou.

Em diálogo com as câmaras municipais da Área Metropolitana de Lisboa, acrescentou o primeiro-ministro, vai ser reavaliada a abertura das lojas com mais de 400 metros quadrados e as feiras.

"Quinta-feira serão reavaliadas as medidas para a Grande Lisboa", revelou Costa em conferência de imprensa.

Governo reforça vigilância epidemiológica

O Governo vai reforçar as medidas de vigilância epidemiológica no setor da construção e nas empresas de trabalho temporário para contrlar focos de infeção pelo novo coronavírus, anunciou o primeiro-ministro.

“Sempre dissemos que esta evolução das medidas de desconfinamento tinha que ir sendo acompanhada de uma monitorização da evolução da pandemia (…) e perante esta evolução na área Metropolitana de Lisboa o Governo entendeu adotar” várias medidas, afirmou António Costa.

A primeira medida, apontou, é “um forte reforço das medidas de vigilância epidemiológica em particular em dois tipos de atividade” que concentram “um elevado número de focos de infeção”.

“Por um lado, no trabalho na construção civil e por outro lado num conjunto de atividades que são exercidas por trabalhadores através de empresas de trabalho temporário”, designadamente o caso do foco identificado mais recentemente no concelho de Azambuja.

“Não tem a ver com os residentes na Azambuja tem sobretudo a ver com um conjunto de trabalhadores que trabalham naquela plataforma logística através de empresas de trabalho temporário”, sublinhou António Costa.

Por isso, anunciou, foi decidido realizar “um esforço muito significativo de testagem” de trabalhadores de empresas de trabalho temporário e nas áreas de construção civil onde se verificar qualquer foco de forma a poder controlá-los.

António Costa lembrou que esta medida foi realizada nos lares “com sucesso”.

“Estamos convencidos que realizando com maior intensidade este trabalho poderemos também dominar aquilo que tem vindo a ser este crescimento” de focos na região de Lisboa e Vale do Tejo, onde tem havia um aumento muito significativo do número de casos de covid-19.

Quanto aos veículos privados de transporte de passageiros, a lotação máxima é de 2/3 dos passageiros sendo obrigatório o uso de máscara.

“Infelizmente, a evolução” nesta região distingue-se "significativamente” das outras regiões do país, afirmou Costa, lembrando que sempre disse que “não teria qualquer vergonha de ter que adiar ou dar um passo atras se fosse necessário”.

Plano de realojamento de emergência

O Governo vai criar um plano de realojamento de emergência para as pessoas que vivam em habitações precárias e sobrelotadas na Área Metropolitana de Lisboa, anunciou o primeiro-ministro, António Costa.

“Trabalharemos para desenvolver um plano de realojamento de emergência para permitir a separação de pessoas que estejam infetadas das que não estão, tal como fizemos em relação a alguns lares”, afirmou o chefe de Governo aos jornalistas.

Sem adiantar muitos pormenores sobre a forma como este plano será desenvolvido, António Costa, ressalvou que não será aplicado com base no local da habitação, mas sim tendo em conta “as condições de habitabilidade”.

“Não devemos situar este problema neste ou naquele bairro, neste ou naquele concelho, nesta ou naquela zona, pois essa não é a natureza do problema. A natureza está bem identificada. Condições de habitabilidade onde um elevado número de pessoas partilha a mesma residência”, sublinhou.

A esse propósito, António Costa deu como exemplo o bairro da Jamaica, no concelho do Seixal, onde segundo o chefe do executivo o problema não tem a ver com as condições de habitabilidade especificas daquele bairro.

“De todas as informações recolhidas, o foco não teve a ver com as condições de habitabilidade naquele bairro. Há muitas situações, como por exemplo na cidade de Lisboa, de sobrelotação de alojamento que também são críticos”, concluiu.

Portugal contabiliza pelo menos 1.383 mortos associados à covid-19 em 31.946 casos confirmados de infeção, segundo o boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) divulgado na quinta-feira.

Portugal entrou no dia 3 de maio em situação de calamidade devido à pandemia, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de março.

Esta nova fase de combate à covid-19 prevê o confinamento obrigatório para pessoas doentes e em vigilância ativa, o dever geral de recolhimento domiciliário e o uso obrigatório de máscaras ou viseiras em transportes públicos, serviços de atendimento ao público, escolas e estabelecimentos comerciais.

Veja aqui as medidas para a terceira fase do desconfinamento no resto do país.

Bárbara Cruz Andreia Miranda / com Lusa