A manhã deste domingo, 'Dia da Mãe', começou com turbulência num centro de vacinação em Agualva-Cacém, Sintra, com dezenas de pessoas a acumularem-se à porta. 

Os utentes, que se dirigiram ao centro para receber a vacina contra a covid-19, inscreveram-se no site da DGS e depararam-se com o centro fechado, a confusão instalada e uma longa fila de espera. 

Alguns dos utentes relatam que chegaram cedo, por volta das oito da manhã e à hora de almoço ainda não sabiam o que estava a acontecer, nem tinham sido vacinados. 

Não têm pessoal, ou não há vacinas, ou então ontem não trabalharam e hoje não há vacinas", afirmou à TVI um dos utentes que tentava perceber o que estava a acontecer.

Durante várias horas, as pessoas continuavam a acumular-se na porta do centro, sem respostas, apenas com a certeza de que tinham recebido uma mensagem de confirmação do agendamento da vacina, e que as autoridades estavam reunidas dentro do edifício para perceber se há ou não vacinas para administrar aos utentes que foram convocados.

Centros de saúde confrontado com autoagendamentos sem conhecimento prévio

O Agrupamento de Centros de Saúde de Sintra, distrito de Lisboa, foi hoje confrontado com cerca de 200 autoagendamentos para vacinação contra a covid-19, sem que existisse conhecimento prévio, o que motivou filas com dezenas pessoas no Cacém.

Em declarações à agência Lusa, a diretora executiva do ACES de Sintra, Clara Pais, disse que, neste momento, no Centro de Saúde do Cacém, que é onde há um maior número de autoagendamentos, “já está uma equipa a vacinar” e as pessoas que lá estiveram nessa situação “vão ser todas vacinadas”.

Contrariamente ao que estava previsto, houve agendamentos centrais feitos no Portal de Autoagendamento, portanto não estavam previstas essas vacinações”, explicou a responsável do ACES de Sintra.

Além da fila de pessoas à espera no Cacém, há mais dois centros de saúde de Sintra “exatamente nas mesmas circunstâncias”, mas com menos número de autoagendamentos, em que a decisão foi de identificar os utentes para proceder ao reagendamento da vacinação pelos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, uma vez que são quem tem a responsabilidade pelos agendamentos iniciais.

Os autoagendamentos são feitos pelos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde e fomos confrontados hoje de manhã com a existência desses autoagendamentos”, indicou Clara Pais, acrescentando que os utentes desses outros dois centros de saúde de Sintra estão a ser reagendados através de ‘sms’.

Os centros de saúde de Sintra estavam hoje fechados, porque “não havia agendamentos prévios”, frisou a diretora executiva deste ACES.

Questionado sobre o que motivou esta falta de comunicação, Clara Pais disse desconhecer a origem do problema.

Estes agendamentos são feitos centralmente, portanto digamos que não sei sequer responder a essa questão, porque estes agendamentos não são feitos por nós no Agrupamento de Centros de Saúde, nem pela Câmara, a Câmara nunca faz agendamentos”, apontou a responsável do ACES de Sintra.

Em reação às filas de pessoas à espera para serem vacinadas, o presidente da Câmara Municipal de Sintra, Basílio Horta, considerou que a situação vivida esta manhã nos centros de vacinação do concelho “é inaceitável”.

A Câmara de Sintra investe centenas de milhares de euros nestes centros, disponibiliza todos os meios necessários e depois falha a articulação entre as autoridades de saúde nacional e local e as pessoas são prejudicadas”, avançou o autarca, classificando como “incompreensível”.

Neste âmbito, Basílio Horta já falou com os responsáveis do Governo, exigindo “uma solução rápida e eficaz para resolver este problema e assegurar que situações idênticas não se repitam no futuro”.

Redação / Sofia Rebanda com Lusa