Portugal registou, esta segunda-feira, o maior número diário de óbitos, 167 pessoas morreram de covid-19. Também, nesta segunda-feira, o autarca de Cascais denunciou cidadãos que decidiram passear trelas sem terem qualquer cão, apenas para poderem circular na via pública. 

No mesmo dia, António Costa anunciou reajustes às restrições que têm estado em vigor nesta segunda fase de confinamento geral, mas os especialistas continuam a apontar várias críticas à metodologia em vigor.

Na TVI, reunimos o pneumologista António Diniz, o deputado do PSD e médico voluntário Ricardo Batista Leite, responsável pelo testemunho que expôs a realidade vivida na ala covid do Hospital de Cascais e Adalberto Campos Fernandes, ex-ministro da saúde, num debate sobre a atual situação pandémica do país e sobre uma eventual rutura do Serviço Nacional de Saúde. Ouvimos ainda Sandra Xavier, médica internista do Hospital dos Covões, em Coimbra, e o diretor clínico do Centro Hospitalar de Lisboa Central, Pedro Soares Branco.

As prinicipais críticas dirigidas ao novo confinamento geral prendem-se com decisão de manter em funcionamento o ensino presencial nas escolas. 

Adalberto Campos Fernandes, antigo ministro da saúde e professor de saúde pública, acredita que não há nenhum argumento que sustente que as escolas, para alunos a partir dos 12 anos, se mantenham abertas.

Não vejo nenhuma razão para que as escolas não sejam encerradas”, reitera.

Para o especialista não é plausível arriscar uma rutura do Serviço Nacional de Saúde em prol de um pequeno constrangimento na vida académica de alguns estudantes.

Estão a morrer pessoas a mais do que as que deviam morrer na situação de crise atual. O apela que fazemos é que os portugueses e os partidos políticos percebam que está na altura de deixar o confronto político-partidário e nos focarmos na salvação das vidas”, explica.

 

O pneumologista António Diniz concorda com o ex-ministro e critica o ajuste das medidas anunciado por António Costa, esta segunda-feira.

Para o clínico não há qualquer “justificação” para o ensino presencial ainda não ter sido suspenso.

As medidas continuam a ser insuficientes. Não há justificação técnica para as Escolas. Gostava de saber quais foram os epidemiologistas que contrariaram o encerramento das escolas”, disse.

António Diniz alerta ainda para os perigos de adiar a administração da segunda dose da vacina da Pfizer e BioNTech.

Ninguém começa por tomar meia dose de antibiótico e depois se a situação não se resolve passa três quartos e depois sim passará à toma total”, ironiza.

 

Ricardo Batista Leite, deputado do PSD e médico voluntário no Hospital de Cascais reitera que há riscos acrescido se Portugal mantiver um modelo de “confinamento híbrido”.

Batista Leite lembra que a este ritmo, de acordo com as perspetivas da Universidade Nova, o país poderá ultrapassar a barreiras das 13 mil mortes no prazo de apenas três semanas.

Se não travarmos a fundo, teremos uma situação de um fevereiro negro. Arriscamos ultrapassar as 13 mil mortes daqui a três semanas”, evidencia.

 

A médica internista do Hospital dos Covões, Sandra Xavier, refere, que ao contrário do que se verificou durante a primeira vaga, os doentes são cada vez mais jovens e com sintomas mais preocupantes.

A clínica explica que muitos dos doentes mais jovens chegam mesmo já em estado crítico e de doença avançada à unidade hospitalar.

Temos doentes cada vez mais jovens e com formas mais graves da doença”, alerta.

Sandra Xavier confidenciou ainda que o maior receio dos profissionais de saúde é a assombração de não poderem tratar de todos os pacientes.

Estamos sobrecarregadíssimos!”, reitera.

 

Pedro Soares Branco, diretor clínico do Centro Hospitalar de Lisboa Central, garante que os sistemas de saúde adaptam-se para responder a uma situação pandémica, abdicando da resposta para outras patologias.

O médico reitera que Portugal já entrou na última fase da capacidade do SNS e que vão começar a morrer pessoas com contrariedades que noutras circunstâncias seriam prioritárias.

Nenhum sistema de saúde está preparado para dar resposta a uma pandemia”, afirma.

 

Nuno Mandeiro