O epidemiologista Manuel Carmo Gomes alertou esta sexta-feira, em declarações à TVI24, que Portugal poderá ter um aumento do número de casos de covid-19 nas próximas semanas, consequência da nova fase de desconfinamento.

Receio que venha a haver um aumento do número de casos, mas estou convencido que não haverá um impacto nas hospitalizações semelhante a alguma coisa que tenhamos assistido antes da vacinação", ressalvou, sustentando com a elevada taxa de vacinação em Portugal.

Carmo Gomes considera que "não devemos ficar excessivamente preocupados com isso", mas que às autoridades de saúde compete fazer uma série de medidas de monitorização, como a efetividade das vacinas e a situação das variantes.

Aquele que é um dos conselheiros do país para desenhar estratégias de desconfinamento já tinha referido que este era o momento certo para avançar para a fase final, mas reforçou o alerta: "Não há risco zero".

O especialista explicou que este "dia da libertação" vem na continuidade de decisões que foram tomadas em julho, quando se fez uma ligação entre o relaxamento das medidas e o avanço da vacinação.

O epidemiologista relembrou que, neste momento, o país está com aproximadamente 630 casos por dia, em média. Mas, há duas semanas atrás, eram registados 1.000 casos diários.

"O vírus está a abrandar. Estamos a descer, mas a descer mais devagar", apontou, explicando que quando o R(t) atingir o 1, significa que a epidemia entrou num "planalto".

Isto quer dizer que provavelmente Portugal vai ficar com o vírus endémico nos próximos dias, meses, 2 ou 3 anos", rematou, afirmando ainda que "não sabemos qual o nível de incidência que vamos ter".

Segundo as projeções do epidemiologista, o país poderá atingir em breve aproximadamente 500 casos por dia, "no qual iremos estabilizar durante algum tempo".

O vírus vai continuar entre nós. Não nos vamos ver livres tão cedo", concluiu.

As recomendações de Carmo Gomes

O epidemiologista alertou ainda que o país "tem de ter cuidado" e transitar de um paradigma de medidas mandatórias gerais para uma situação de "maior responsabilidade individual".

As pessoas têm de avaliar a sua situação de risco: pessoas que têm comorbidades de risco para esta doença, como os mais idosos, devem ter a consciência de que o vírus está cá e é altamente contagioso - é muito fácil ser infetado por esta variante" 

Carmo Gomes considera que este tipo de pessoas devem continuar a usar máscara.

Rafaela Laja