A Direção-Geral de Saúde (DGS) negou, este sábado, através de um comunicado enviado aos órgãos de comunicação social que os contatos de risco vão deixar de ser testados.

No comunicado a DGS desmente a existência de uma nova norma para o despiste da doença e refere que a capacidade de testagem do Serviço Nacional de Saúde (SN) está a ser reforçada, para permitir a realização do dobro dos testes efetuados atualmente.

A DGS esclarece ainda que os testes a contatos de casos confirmados de covid-19 depende da estratificação de risco pelas autoridades de saúde. Com o reforço da capacidade de testes, a DGS acredita que o número de análises diárias poderá auentar para 24 mil, só na rede pública.

Norma da DGS sobre rastreio de contatos pode contribuir para aumento de casos

A Ordem dos Médicos advertiu, entretanto, que a norma da DGS sobre o rastreio de contactos por covid-19 poderá contribuir para um aumento de casos, porque deixa de ser obrigatório realizar testes aos contatos de alto risco com infetados.

A posição da OM surge no dia em que o Expresso noticia que “os contatos de alto risco deixam de ser testados” com esta norma, uma situação que a Direção-Geral da Saúde já negou em comunicado, assegurando que “não é verdade” que “Portugal vá reduzir o número de testes” e que a norma “exclua ou restrinja o universo de pessoas sujeitas à realização de testes”.

Apesar do esclarecimento da DGS, uma fonte da Ordem dos Médicos (OM) disse à agência Lusa que mantém a posição e defende que a norma deve ser revogada.

A OM diz que constatou “com preocupação que nos contactos de alto risco com casos de covid-19 deixa de ser obrigatória a realização de teste de diagnóstico laboratorial, ficando essa decisão ao critério da avaliação de risco feita pelas autoridades de saúde”.

“Não existindo limitação de recursos de diagnóstico, que seja do nosso conhecimento, devemos aproveitar esta fase e insistir para resolver os atuais surtos e preparar o país para uma segunda vaga, garantindo a retoma económica em pleno”, defende.

Para a OM, esta decisão vai em sentido oposto às boas práticas de “testar, testar, testar”, que têm vindo a ser defendidas por várias estruturas, nomeadamente pela própria Organização Mundial de Saúde.

“Esta norma poderá contribuir para um aumento do número de casos no nosso país, mesmo que não identificados como tal, uma vez que atrasa a possibilidade de travar novas cadeias de transmissão secundárias geradas por doentes assintomáticos, mas que ainda não estão registados como “positivos” por não terem feito nenhum teste de diagnóstico, adverte.

A OM afirma estranhar também “a coincidência temporal da publicação desta norma, que surge numa altura em que o número de novas infeções no país estava a ter impacto externo ao nível do turismo”.

No seu entender, “é absolutamente inaceitável, e sobretudo muito perigoso para a saúde pública, que uma norma técnica de uma autoridade de saúde se subjugue aos interesses políticos”.

“Esta mudança na estratégia para responder a necessidades de curto prazo pode impedir-nos de concretizar um verdadeiro esmagamento da curva epidemiológica, prolonga a necessidade de manter circuitos covid-19 em toda a estrutura de saúde, com impacto negativo nos doentes não covid-19 que ficam com a resposta comprometida, e coloca-nos numa situação pior para o inverno”, alerta a OM.

Defende ainda ser essencial continuar “a conhecer as múltiplas dimensões do problema, caracterizando corretamente a realidade epidemiológica” para poder atuar em “conformidade e evitar o arrastar permanente desta primeira onda, com impacto na retoma clínica e também económica”.

/ PP (atualizado às 13:21)