A Polícia de Segurança Pública (PSP) realizou este sábado, na estação ferroviária de Sete Rios, em Lisboa, uma ação de visibilidade junto dos cidadãos que esperavam pelos transportes públicos, apelando a que só saiam de casa, se for estritamente necessário.

Às 09:00 em ponto, cerca de 30 agentes da PSP deram início a uma ação de sensibilização na estação intermodal de Sete Rios, onde confluem comboios, metro e autocarros.

Devidamente protegidos com máscaras acrílicas, a missão destes agentes, como explicou à agência Lusa a oficial Madalena Rodrigues, passou por sensibilizar as pessoas que utilizam os transportes públicos para a necessidade de permanecerem em suas casas e só circularem na via pública por um dos motivos previstos na declaração do estado de emergência.

"Estamos a fazer uma ação essencialmente pedagógica e também a verificar se as pessoas estão a cumprir o confinamento obrigatório. Sobretudo as pessoas de risco, com mais de 70 anos, doenças crónicas e que tenham uma justificação plausível para saírem de casa", explica Madalena Rodrigues, que sublinha que a ação é educativa mas que, se houver desrespeito das regras impostas, a lei será aplicada.

"Interagimos com as pessoas, fazemos questões básicas, como saber onde vai e, se entendermos necessário, pedimos o cartão de cidadão para comprovar a área de residência. Se os motivos que nos forem apresentados não forem justificação e se o cidadão não acatar, teremos de agir de forma mais musculada e fazer perceber que incorre no crime de desobediência", diz a agente, que avança que, nesses casos, a saída é a detenção para posterior apresentação a tribunal.

Em vésperas da Páscoa, cuja celebração terá de ser necessariamente diferente, como as autoridades políticas e sanitárias têm insistentemente alertado, a responsável da PSP por esta ação em Lisboa deixa alguns conselhos e pede a ajuda de todos os cidadãos.

"Pedimos que todos colaborem connosco e sejam polícias de si próprios. Todos nós temos um policia connosco 24 horas por dia, que é a nossa consciência. Se a seguirmos, o que devemos fazer é ficar em casa", reforça a agente.

À espera de comboio à beira da linha 4, com destino ao Oriente, Madalena Tavares elogia a presença da PSP no local e diz que só a necessidade de trabalhar a tem levado a sair de casa.

"Todos os dias saio de manhã para trabalhar e regresso às 14:00. Quando chego a casa já não saio", garante a empregada de limpeza, que considera que, "quem não está a trabalhar, não tem nada que sair de casa".

Do outro lado da linha, Leuda Mourão e o marido, Claudemir Mourão, viram o comboio com destino a Sintra partir segundos antes de terem conseguido chegar à plataforma. Ambos de máscara, explicam que só saíram de casa, em Rio de Mouro, porque Leuda foi convocada para estar no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

"Convocaram-me para estar hoje no SEF, mas cheguei lá e não estão a atender", conta esta costureira, atualmente sem trabalhar, e que viu com agrado a presença da PSP na estação lisboeta.

"Acho correto. Todos temos de nos prevenir e, se o fizermos, a doença vai embora mais rápido. Se as pessoas continuarem na rua vai demorar muito mais", diz em tom crítico.

Já reformado, Claudemir acompanhou a mulher nesta viagem infrutífera a Lisboa, mas assegura que, com esta exceção, tem permanecido em casa desde o início do período de quarentena, há três semanas.

"Temos consciência de que não podemos prejudicar-nos uns aos outros. Temos de nos manter em casa por isso", diz o brasileiro de 57 anos.

Há sete anos em Portugal, Claudemir elogia as medidas restritivas que foram adotadas no nosso país e lamenta que o Brasil, e particularmente o seu presidente, Jair Bolsonaro, não tenham uma postura semelhante.

"Achei muito infeliz o que ele disse à população. Devia fazer como em Portugal, que implementou esta série de cuidados. Foi precipitado da parte dele e acredito que as consequências vão ser muito maiores", termina.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais 1,2 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram perto de 60 mil.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Em Portugal, segundo o balanço feito este sábado pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 266 mortes, mais 20 do que na véspera (+8,1%), e 10.524 casos confirmados de infeção, o que representa um aumento de 638 (+6,5%), em relação a quinta-feira.

Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 2 de março, encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março e até ao final do dia 17 de abril, depois do prolongamento aprovado na quinta-feira na Assembleia da República.

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