Numa altura em que número de casos continua a subir e a colocar pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde, Margarida Tavares, infeciologista do Hospital de São João, falou sobre quais as medidas que deveriam ser tomadas para combater esta segunda vaga de contágios da covid-19.

“Se nada se fizer, cada infeção vai gerar mais do que uma”, explicou. No entanto, a especialista admite ser “mais favorável a convencer as pessoas sobre qual o papel delas em relação ao vírus”, do que a aplicar medidas mais restritivas que coloquem constrangimentos à economia do país.

A especialista aproveitou a ocasião para enaltecer o comportamento dos portugueses, que “estão a comportar-se de forma exemplar”.

A médica diz que as autoridades têm de fazer tudo para baixar o “R”, apesar de admitir que  “não sabemos quais são as medidas mais eficazes” para combater o vírus. “O trabalho é o grande local onde ocorre a infeção.”

Joana Oliveira, médica de família, garante que os utentes com que contata estão “bastante sensibilizados” e sabem os “cuidados de isolamento” que devem ter. Ainda assim, a médica critica o “excesso de informação” com que as pessoas têm de lidar.

Sobre o que é necessário para que um doente covid-19 tenha alta depois dos dez dias de isolamento, a médica explicou que “a alta só após três dias sem febre e melhoria de sintomas”, mesmo sem um teste negativo.

O convidado desta quarta-feira da rubrica “Tive Covid-19” foi o humorista Fernando Rocha. Foi uma das primeiras vozes a vir a público revelar ter sido infetado pelo novo coronavírus e esteve infetado durante dois meses.

Os primeiros três ou quatro dias tive sintomas da covid-19, mas depois fiquei dois meses a testar positivo sem ter sintomas nenhuns”, contou o comediante. “Tive febres altas, dores no corpo, vómitos e perda de olfato e paladar.”

Fernando Rocha contou ainda que os sintomas foram “da gripe mais forte que alguma vez tive”, mas que “o pior” foi a parte psicológica.

“Ninguém me sabia informar sobre que doença era esta, naquela altura. Eu via as notícias e via médicos na frente de combate a morrer da covid-19 e o presidente do Santander – que financeiramente podia recorrer aos melhores hospitais do mundo - também acabou por falecer”, recordou. “O pior foi mesmo pensar: ‘Eu vou morrer. Vou deixar de ver os meus filhos e a minha mulher’. Pensei mesmo que ia morrer.”