A Direção-Geral de Saúde já divulgou o parecer técnico que dita as regras para a realização da Festa do Avante! de 2020. A lotação máxima do recinto deverá rondar as 17 mil pessoas e a venda de álcool vai ser proibida a partir das 20 horas.

Manuel Pedro Magalhães, diretor clínico do Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa, analisou, esta segunda-feira, na TVI24, as consequências da realização da Festa do Avante para a saúde pública.

Todos os dias vão chegar à Festa do Avante o equivalente a 100 aviões sem, no entanto, controlar a hora de chegada e de saída das pessoas”, frisou.

Ainda que acredite ser possível fazer com que todas as 16 mil pessoas cumpram as regras dentro do recinto da festa, Manuel Pedro Magalhães questiona: “Continua ou não a existir um enorme risco de haver pessoas que estão infetadas e que não sabem e que vão à festa?”

O diretor clínico diz ainda que a festa corre o risco de criar um surto que “se estenderá para o resto do país”, uma vez que os visitantes vêm de diferentes regiões de Portugal.

Desde o primeiro dia em que a covid-19 apareceu em Portugal, nada mudou em termos de tratamentos da doença e da sua prevenção”, relembrou. “Esta é uma mensagem completamente oposta, porque, segundo a Direção-Geral da Saúde, podem juntar-se 16 mil pessoas.”

Dando o exemplo do uso das instalações sanitárias, Manuel Pedro Magalhães considera ser inegável que a realização da festa “aumenta o risco de infeção”.  

Do ponto de vista da responsabilidade cívica, é um atentado”, sublinhou.

Questionado sobre se a Direção-Geral de Saúde deveria impor o uso de máscara dentro do recinto da festa, o médico afirmou que, na sua opinião, todos deveriam utilizar máscara, tanto em espaços fechados como na rua.

Este evento dá sinais péssimos à população”, sublinhou.