A Fundação Portuguesa do Pulmão (FPP) recomendou esta sexta-feira que a campanha de vacinação contra a gripe comece mais cedo, no início de outubro, disponibilizando mais doses de vacinas, num ano de "motivo acrescido de preocupação" devido à covid-19.

Em comunicado, a FPP "aconselha as autoridades de saúde a assegurarem um número substancialmente mais elevado de vacinas" contra a gripe, considerando insuficiente dois milhões de doses para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e 500 mil doses para a rede de farmácias.

Se contabilizarmos apenas as pessoas com idade superior a 65 anos, com indicação formal para serem vacinadas, o seu número é superior a 2.220.000. Restam ainda os numerosos grupos de pessoas vulneráveis ou com indicação para a vacinação", assinala a entidade. A vacina é recomendada e gratuita para idosos, doentes crónicos e imunodeprimidos, grávidas e profissionais de saúde.

Segundo a FPP, "este ano é muito importante que fique o menor número possível de doentes por vacinar", atendendo ao "motivo acrescido de preocupação" que representa a "circulação conjunta" do coronavírus que causa a doença respiratória covid-19 e dos vírus da gripe, uma patologia igualmente respiratória e infeciosa.

A organização recomenda, por isso, que "todas as pessoas vulneráveis ou com indicação para vacinação" se vacinem contra a gripe e que as autoridades de saúde definam "metas de vacinação mais ambiciosas", nomeadamente com campanhas de vacinação dirigidas a "todos os grupos-alvo".

Para que a campanha de vacinação gripal 2020-2021 "decorra sem atropelos", face "à previsibilidade de uma intensa procura", a FPP entende que a mesma arranque mais cedo, no início de outubro (a campanha de vacinação 2019-2020 começou em 14 de outubro).

A FPP considera, ainda, que as farmácias devem "ter um papel mais ativo na administração da vacina" aos utentes do SNS.

Em tempo de pandemia, em que é "expectável um aumento significativo do número de casos" de covid-19, "na sequência da época fria que se aproxima e da nova fase da vida social", designadamente com a reabertura de escolas, a Fundação Portuguesa do Pulmão lembra a importância das medidas de comportamento preventivas, como a desinfeção das mãos e de superfícies, o distanciamento físico e o uso de máscara em espaços públicos interiores e exteriores.

A pandemia da covid-19 já provocou pelo menos 793.847 mortos e infetou mais de 22,7 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência noticiosa francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.792 pessoas das 55.211 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A covid-19 é causada por um novo coronavírus (tipo de vírus) detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

/ AG