O Hospital de São João, no Porto, reativou seis tendas e um processo de triagem avançada de doentes para fazer face ao aumento de casos de covid-19. A diretora do serviço de urgência do hospital, Cristina Marujo, explicou à TVI que as tendas, quatro para adultos e duas para crianças, foram reativadas na sexta-feira.

Além das tendas, reativámos um processo de triagem avançada. Temos um enfermeiro que aborda todos os doentes que chegam ao hospital no sentido de saber se são doentes suspeitos ou não suspeitos. Se não são suspeitos vão para dentro e fazem a triagem normal se suspeitos de pouca gravidade ficam na tenda, se forem suspeitos com maior gravidade vão já direcionados”, detalhou a responsável.

A responsável sublinhou que nestes dez primeiros dias de outubro, o número de casos de covid-19 que chegaram ao hospital é superior à média verificada em março e abril. Os profissionais acreditam que “isto está a crescer exponencialmente” e que vamos ter uma segunda vaga “provavelmente pior em termos de números”

Estamos neste momento, se contarmos os dez dias que temos de outubro, com uma média superior à que tivemos em março e em abril. É evidente que são dez dias, mas o que estamos a perceber é que isto está a crescer exponencialmente e certamente que não vai parar amanhã nem depois. Acreditamos que isto vai subir por aí fora e que vamos ter uma vaga provavelmente em termos de números até pior do que antes.“

Questionada se os profissionais de saúde estão mais bem preparados para enfrentar a nova vaga de covid-19, Cristina Marujo frisou que a primeira vaga "permitiu preparar planos de contingência e perceber quando era preciso ativar outras equipas e outras pessoas"

No entanto, o desafio agora será diferente porque a procura de urgência por doentes não suspeitos não tem diminuído como aconteceu em março ou abril e "o hospital está a tentar manter ao máximo o atendimento de doentes 'não covid'".

A responsável admite também que, agora, o cansaço e o desgate dos profissionais de saúde é maior.

Obviamente estamos apreensivos. As pessoas estão mais cansadas neste outubro do que no outubro de 2019, psicologicamente mais desgastadas e com mais receio", acrescentou.

A diretora do serviço de urgência do hospital considera ainda que a mensagem sobre as medidas de proteção contra a covid-19 não passou.

Muitos estudantes, muita gente jovem nos diz que esteve numa festa, num aniversário, num jantar de amigos e que não usavam máscara porque são os amigos, a família. (...) Há qualquer coisa que falhou na nossa mensagem, não a conseguimos passar", vincou.