Um estudo apresentado esta quinta-feira pelo Centro Académico de Investigação e Formação Biomédica do Algarve e pela Fundação Champalimaud indica que, quatro meses após a vacinação completa, as pessoas com idade igual ou superior a 70 anos sofrem uma diminuição abrupta dos anticorpos.

De acordo com o relatório da apresentação, a que a TVI teve acesso, os investigadores estudaram uma população de mais de 5 mil utentes de lares e funcionários e observaram que o ponto de viragem para a queda acentuada se dá aos quatro meses, passando de 89% para 48%.

É, ainda, a partir deste horizonte temporal que se acentua as diferenças de comportamentos entre utentes e funcionários, registando os últimos uma taxa de anticorpos estável.

A idade é definida como um dos fatores mais influentes para a redução da presença de anticorpos em pessoas totalmente vacinadas. Inversamente, é possível verificar que as pessoas que tiveram uma infeção por covid-19 e receberam uma dose da vacina, mantêm anticorpos ao longo do tempo.

São "dados importantes para a decisão, nomeadamente para próximas evoluções sobre reforços", referiu a ministra do Trabalho Ana Mendes Godinho, presente na apresentação do estudo desenvolvido em lares do Algarve e Alentejo.

"A evolução que temos tido da situação nos lares tem sido uma evolução muitíssimo positiva do ponto de vista do impacto que a pandemia tem tido nas organizações e nas instituições", disse a ministra, acrescentando que Portugal tem, neste momento, cerca de 45 surtos em lares. "O que está a acontecer é que, mesmo na situação em que há surtos, os efeitos do próprio surto e da doença nas pessoas são menores. Com uma melhor capacidade de gestão".

O estudo foi conduzido no espaço de oito meses, sendo que para utentes totalmente vacinados, a presença de anticorpos IgG baixou de 93% para 30%, de acordo com o resultado deste estudo.

No entanto, as quantidades de anticorpos irem diminuindo não é, por si só, indicativo de uma perda de imunidade. É aí que entra a importância da memória celular.

Desde que saíram os primeiros estudos sobre as vacinas da covid-19 que a palavra mais ouvida foi "eficácia". Quanta tinha e durante quanto tempo, questionava-se. A dúvida mantém-se, mas há um outro conceito fulcral em imunologia de que pouco se tem falado, e que pode ser decisivo na luta contra a pandemia.

A memória celular consiste numa espécie de aprendizagem feita por parte do sistema imunitário humano, e que permite ao corpo combater um vírus para além do tempo em que é suposto durar a eficácia da vacina.

Traduzindo, o corpo humano aprende a defender-se do vírus, e vai reagir assim que entrar em contacto com ele, algo que pode surgir até muito tempo depois da vacina, e que depende de vírus para vírus. No caso do sarampo, por exemplo, ficamos protegidos para toda a vida com a toma de uma única vacina. Em sentido contrário, com a gripe, é necessária a administração de uma vacina todos os anos aos grupos de risco.