Um inquérito do Instituto de Saúde Pública (ISPUP) junto de mais de 6.000 portugueses concluiu que têm sido realizados diariamente cerca de seis testes de Covid-19 por cada mil pessoas e diagnosticado “perto de três novos casos".

Estes dados foram esta segunda-feira divulgados no primeiro relatório dos 'Diários de uma Pandemia' daquele instituto da Universidade do Porto, na sequência de um inquérito em que participaram, de 23 a 30 de março, 6.791 pessoas que, durante essa semana, responderam a 23.254 questionários.

As pessoas que tiveram contacto com um caso confirmado de infeção foram as que mais realizaram testes (165 em cada 1.000), seguindo-se os participantes que contactaram a linha SNS24 (152 em cada 1.000) e os que reportaram, pelo menos, um dos sintomas associados à covid-19.

Paralelamente, a realização do teste foi mais frequente em homens com idades entre os 40 e 59 anos (11,2 a cada 1.000 submeteram-se a testes) e em mulheres com 60 ou mais anos (9,7 a cada 1.000).

Quanto à frequência de novas infeções, esta foi mais elevada nos homens com idades entre os 40 e 59 anos (6.4 a cada 1.000) e nas mulheres com 60 ou mais anos (4,8 em cada 1.000).

Além dos testes, diagnósticos e sintomas, o relatório, que faz a análise da utilização de cuidados de saúde (presenciais ou à distância) e a procura de informação relacionada com a pandemia, conclui que a cada 1.000 pessoas existiram “seis novos contactos” com a linha SNS24.

Os contactos foram mais frequentes nas mulheres com idade igual ou superior a 60 anos (10,5 a cada 1.000), seguindo-se os homens com idades entre os 40 e 59 anos (4,4 em cada 1.000).

No entanto, “um pouco mais frequentes” foram os contactos à distância com o médico de família, tendo sido reportado que a cada 1.000 participantes sete o faziam diariamente, maioritariamente por mulheres com idade igual ou superior a 40 anos e por homens com idades entre os 40 e 59 anos.

Quanto às regiões, o relatório adianta que as diferenças foram “mais evidentes” do que entre os grupos etários, com a região do Norte e Centro a estabelecerem um contacto mais frequente com o médico de família do que os residentes das Regiões Autónomas e do Alentejo e Algarve.

No que concerne à linha SNS24, a frequência foi “particularmente inferior” nos residentes do Alentejo e nos Açores, seguindo-se a região Centro do país.

Por sua vez, as deslocações aos serviços de saúde por motivos relacionados com a Covid-19 foram, “de um modo geral, pouco frequentes”, quer na amostra global quer entre os inquiridos que reportaram sintomas.

No entanto, as deslocações a farmácias ou parafarmácias, por motivos relacionados com a covid-19 ou não, reportam uma deslocação diária de 50,8 em cada 1.000 pessoas sem sintomas e 61,9 em cada 1.000 com sintomas.

A frequência a estes serviços “aumentou com a idade”, quer em homens quer em mulheres, sendo “particularmente elevada” nos homens com 60 ou mais anos (78,9 em cada 1.000), assim como mais frequente na Região Autónoma da Madeira, seguindo-se o Alentejo.

Segundo o relatório, por dia, 27,4 em cada 1.000 participantes contactaram pessoalmente com pessoas suspeitas de infeção pela Covid-19 e 9,3 com pessoas cujo diagnóstico para a Covid-19 deu positivo.

Em todas as idades, os contactos com casos suspeitos foram mais frequentemente referidos pelos homens”, lê-se no documento, que adianta que os contactos com suspeitos foram mais reportados pelos residentes no Algarve, seguidos do Norte, Centro e Lisboa.

Já no que concerne a contactos confirmados, a incidência foi “elevada e semelhante” nas regiões do Norte, Lisboa e Algarve.

No que concerne às atividades diárias, 103,3 em cada 1.000 inquiridos reportaram ter trabalhado fora de casa, sendo que essa atividade foi mais frequente nos homens entre os 40 e 59 anos (163,3 em cada 1.000) e entre os 16 e 39 anos (131,7 em cada 1.000), seguindo-se as mulheres entre os 40 e 59 anos (114,2 em cada 1.000).

O relatório indica também que, diariamente, 8,1 em cada 1.000 inquiridos utilizaram transportes coletivos, sendo esta resposta mais frequente nos homens com idades entre os 40 e59 anos e pelas mulheres com idade igual ou superior a 60 anos, e “claramente mais usados” pelos inquiridos de Lisboa.

Quanto às deslocações a hipermercados, supermercados e mercearias, 210,4 em cada 1.000 participantes reportaram essa deslocação, sendo que os homens com idades entre os 40 e 59 anos, seguindo-se daqueles com idade igual ou superior a 60 anos, foram os que mais se deslocaram.

As idas ao supermercado foram também mais reportadas pelos inquiridos residentes na Região Autónoma dos Açores e no Alentejo.

Paralelamente, 71,9 em cada 1.000 inquiridos foi diariamente a outro estabelecimento comercial que não a farmácia ou o supermercado e, 308,4 reportaram ter saído de casa por motivos não relacionados com comércio e serviços.

Em ambos os casos, os homens, especialmente a partir dos 60 anos, foram os que mais se deslocaram a estes serviços.

O relatório adianta ainda que diariamente 70,1 em cada 1.000 participantes dizem ter visitado a casa de amigos ou famílias, sendo que as visitas foram mais reportadas por participantes entre os 40 e 59 anos, tanto homens como mulheres e, menos reportadas pelos participantes com idade igual ou superior a 60 anos.

A plataforma ‘Diários de uma Pandemia’, desenvolvida pelo ISPUP e pelo Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC) em parceira com o jornal Público, visa, com base em dados sobre as rotinas diárias da população, compreender a adaptação ao surto de covid-19.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia de Covid-19, já infetou mais de 1,2 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 70 mil.

Em Portugal, segundo o balanço feito esta segunda-feira pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 311 mortes, mais 16 do que na véspera (+5,4%), e 11.730 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 452 em relação a domingo (+4%).

/ CE