Marcelo Rebelo de Sousa anunciou, esta quinta-feira, a renovação do estado de emergência, que vai vigorar até dia 15 de abril. 

O Presidente da República pediu "sensatez" aos portugueses durante a semana da Páscoa e alertou que "testar, rastrear e vacinar são essenciais para um desconfinamento bem sucedido".

Manuela Ferreira Leite considera que a intervenção de Marcelo "foi algo que corresponde quase a uma rotina”. A comentadora da TVI acredita que o Presidente não deixou qualquer mensagem direcionada ao Governo nas entrelinhas.

“Não vi muitas entrelinhas. Achei que fez uma declaração ao país para manter uma atuação que tem seguido regularmente. Quando há uma declaração de estado de emergência comunica isso ao país. Admitia que houvesse uma alusão à necessidade de mais testes, mas não aludiu a esse ponto. O que significa que ou está resolvido ou está por resolver, mas não o ia dizer numa comunicação ao país. Direi que foi algo que corresponde quase a uma rotina”, afirma Manuela Ferreira Leite.

Relativamente à testagem e rastreamento, a comentadora lembra que o preço dos testes poderá ser um impeditivo para parte da sociedade. 

Quanto à vacinação, Ferreira Leite revelou que recebeu a primeira dose da vacina contra a covid-19, esta quinta-feira, e partilhou o próprio testemunho. A comentadora elogiou toda a operacionalização do processo e garantiu que entre chegar ao posto e receber o fármaco não demorou mais de 15 minutos.

Fui hoje vacinada, com a primeira dose de uma vacina. Devo dizer que no caso, pelo qual posso testemunhar, estava de uma organização impecável da qual não há nada a dizer. Tirando aquela meia-hora que a pessoa tem de esperar após a vacina, mas é um problema cautelar que só deve ser louvado. Contando o processo, entre chegar e ser vacinado, não demorei um quarto de hora. Estava muitíssimo bem organizado e com imensos cuidados. Acho impossível haver qualquer outro exemplo melhor do que aquele. Admito que as notícias que por vezes se dão são casos de exceção e casos que correspondem áquilo que é a rotina do processo”, revelou a comentadora da TVI.

No centro do debate político nacional, tem estado a venda da EDP, por 2,2 mil milhões de euros, da concessão de seis barragens na bacia hidrográfica do Douro a um consórcio de investidores formados pela Engie, Crédit Agricole Assurances e Mirova.

O Bloco de Esquerda tem defendido que, à luz deste negócio, deviam ter sido pagos 110 milhões de euros em Imposto do Selo (IS), o que é contestado pela EDP.

Manuela Ferreira Leite explica por que variadas vezes o Estado recorre a "incentivos fiscais" e aponta que é tempo de uma reforma do sistema fiscal português, que "é de uma carga que não é efetivamente competitivo com nenhum país da Europa".

Benefício fiscal. Só o nome faz tocar campainhas. ‘beneficio’ é algo que as pessoas ficam logo desconfiadas. Até por que o sistema fiscal é igual para todos. Se há um benefício, porque é há um benefício? Só o nome tem subjacente uma suspeita. Portanto, se os valores são muito elevados, as pessoas ainda ficam com mais suspeitas. Aquilo que é preciso saber é porque é que foi dado aquele benefício fiscal e porque existem benefícios fiscais, que só existem para atrair um investimento. (...) O nosso regime fiscal é de uma carga que não é efetivamente competitivo com nenhum país da Europa”, conclui Manuela Ferreira Leite.

 

Nuno Mandeiro