A ministra da Saúde, Marta Temido, garantiu, nesta sexta-feira, que não há motivo para alterar a realização da fase final da Liga dos Campeões em Lisboa, devido ao surto de Covid-19 em 19 freguesias de cinco concelhos da área metropolitana.

A governante disse desconhecer, referindo-se ao seu ministério, quaisquer contactos com a UEFA e as preocupações manifestadas pelo organismo que tutela o futebol europeu, mas assegurou que a situação epidemiológica em Lisboa não só era "expectável" como "está controlada".

Uma vez mais, gostaríamos que a situação epidemiológica fosse com menor número de casos por dia, ainda que seja com o número que todos conhecemos. Mas a situação está controlada e implica medidas como as que tomámos em conselho de ministros. É uma situação que estamos a acompanhar e não vemos motivo para que qualquer uma das atividades previstas para um tempo mais dilatado possa sofrer alterações."

Já hoje, o Ministério dos Negócios Estrangeiros considerou “totalmente falso” um título do jornal espanhol El País, segundo o qual Portugal ordenou o confinamento de três milhões de lisboetas, pedindo a sua correção urgente e pública.

Também hoje, segundo um jornal britânico, o Reino Unido está a ponderar excluir Portugal da lista de destinos seguros.

Marta Temido recordou, ainda, que a Covid-19 só desaparecerá quando surgir uma vacina ou tratamento, sublinhando que “contactos físicos e espaços fechados e muito frequentados” são comportamentos de risco. 

A ministra reconheceu que as pessoas "não podem parar as suas vidas", mas alertou que lidar com uma doença infecciosa, e de "elevada contagiosidade", implica cuidados que não podem ser descurados. 

Recordo que, como todos sabemos, que a Covid-19 só desaparecerá das nossas vidas quando surgir uma vacina ou tratamento eficaz, logo o facto de Portugal ter tido uma situação epidemiológica melhor, mais favorável, menos dura do que outros países e de, agora, enfrentar números consistentes em algumas freguesias é um motivo para reforçar o nosso esforço articulado ao nível da saúde publica, solidariedade social, emprego, economia, habitação, transportes e trabalho com autarquias e sociedade civil”, observou. 

Questionada, ainda, sobre uma alegada intervenção irritada do primeiro-ministro para lhe tirar a palavra na reunião do Governo e do Presidente da República com especialistas no Infarmed, Marta Temido afirmou em tom irónico que, “se o primeiro-ministro ‘puxou as orelhas’ à ministra da Saúde, teria certamente razão, embora os castigos corporais sejam pouco da nossa forma de trabalhar”.

Todos começamos a ficar bastante cansados e gostaríamos de poder voltar a página da covid-19. É natural que se perca alguma da tranquilidade e possamos perguntar-nos se as coisas estão a evoluir no melhor sentido”, concluiu.

 

 
Catarina Machado