O professor de Saúde Internacional na Universidade Nova de Lisboa Tiago Correia considera que "medidas mais restritivas" para combater a pandemia de covid-19 podem criar mais "tensão entre os decisores políticos e a população", numa altura em que as pessoas começam a ficar frustradas.

As pessoas estão a utilizar todas as medidas de proteção conhecidas (...) mas o que estamos a perceber na Europa é que o aumento dos casos também está a acontecer e isso está a criar alguma frustração", sublinhou, na TVI24. 

Tiago Correia frisou que as pessoas "estão completamente saturadas de tudo isto" e os políticos devem dar a oportunidade aos cidadãos de gerirem o seu esforço.

Tem de ser dada a oportunidade às pessoas de gerir o seu esforço. (...) O que estamos a ver na Europa é que as pessoas estão completamente saturadas de tudo isto e não podemos simplesmente dizer 'agora vão ter mais uma medida, mais uma medida'...", acrescentou.

Sobre a utilização de máscara na rua, o investigador foi perentório: "não há nenhuma evidência que nos diga que vá conseguir controlar as cadeias de transmissão".

Não há nenhuma evidência que nos diga que as máscaras na rua vá conseguir controlar as cadeias de transmissão. Continuamos a saber que o vírus não fica a pairar no ar. As gotículas caem."

No entanto, Tiago Correia considera que, apesar de não haver evidências científicas, se as pessoas se sentirem mais confortáveis usando a máscara na rua, devem fazê-lo porque "mal não faz".

Se as pessoas estão mais confortáveis e confiantes, se as autoridades locais sentme que há uma janela de oportunidade para tomar essas decisões façam-no. Mal não faz. O que é importante é que as autoridades locais percebam que isto não vai ser eficaz para sempre. 

O especialista considera que o aumento do número de casos de covid-19 é uma consequência normal do regresso à normalidade e que "não pode ser notícia todos os dias".

Para Tiago Correia, a maior preocupação agora recai sobre os "acréscimos repentinos" de novos contágios, que demonstra uma incapacidade na deteção precoce das cadeias de transmissão.

O que prende a minha atenção são os aumentos repentinos de casos. (...) Este tipo de aumentos preocupa-me porque significa que ao longo dos dias não estamos a conseguir as cadeias de transmissão. (...) Se isto acontecer dois dias, três dias... isto pode-se traduzir num aumento de internamentos", completou.

Sofia Santana