A ministra da Saúde, Marta Temido, anunciou este sábado, na conferência diária sobre a evolução da pandemia de Covid-19, várias medidas para combater os surtos que se têm verificado na região de Lisboa e Vale do Tejo, designadamente nos concelhos da Amadora, Lisboa, Loures, Odivelas e Sintra.

A governante começou por sublinhar que nos últimos oito dias estes surtos “representam mais de 85% dos novos casos registados no país”.

Apesar de o número de novos casos na generalidade das regiões do território nacional registar uma tendência decrescente verificamos um crescimento de novos casos na área metropolitana de Lisboa. De facto, desde meados de maio que o número de casos se mantém em cerca de 180 novos casos por dia nesta região.”

Marta Temido disse ainda que média do Rt - que avalia a transmissão do vírus - para os dias entre 23 a  27 de maio foi de 1,02, sendo que foi de 0,93 na região Norte, 0,98 na região Centro e 1,05 na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Por isso, Marta Temido anunciou que vão ser reforçadas as seguintes medidas:

  • o rastreio da infeção focado nas atividades onde se tem verificado maior incidência da doença, como as áreas ligadas à construção civil, a cadeias de abastecimento, transporte e distribuição, caracterizadas por rotatividade de trabalhadores e trabalho temporário;
  • a testagem de todas as pessoas relativamente às quais existe uma vigilância ativa por serem contactos dos trabalhadores;
  • o confinamento obrigatório dos doentes e a garantia do mesmo com o apoio das forças de segurança;
  • a identificação de locais alternativos para o confinamento domiciliário, quando se verifique que as habitações não reúnam condições de habitabilidade e os critérios para o isolamento.

Segundo a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, também presente na conferência de imprensa, já foram identificados cerca de 140 casos positivos na construção civil, tratando-se de um número provisório que será atualizado com o reforço dos testes neste setor.

Na sexta-feira, o primeiro-ministro, António Costa, já tinha anunciado que por causa dos focos de Covid-19 em concelhos da região de Lisboa e Vale do Tejo, o desconfinamento nesta região vai demorar mais tempo e a situação será novamente avaliada no dia 4 de junho.

 

Hospitais prontos para aliviar hospital de Loures

A ministra da Saúde assegurou também que existem hospitais prontos para ajudar o Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, que tem tido sofrido uma forte pressão devido aos focos de Covid-19 registados na sua área de influência.

Marta Temido referiu que, na sexta-feira, o Hospital Beatriz Ângelo tinha ocupadas nove das 10 camas em Unidades de Cuidados Intensivos para a Covid-19. Esta unidade de saúde dispõe de 58 camas para tratamento de doentes infetados pelo novo coronavírus.

Segundo a governante, na sexta-feira “a situação terá começado a registar alguma estabilização ou algum decréscimo”.

A ministra, que antes desta conferência de imprensa conversou com a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) sobre o assunto, afirmou que outros hospitais da região de Lisboa “estão preparados” para ajudar o Beatriz Ângelo a responder à procura, “se necessário”.

Portugal contabiliza pelo menos 1.396 mortos associados à Covid-19 em 32.203 casos confirmados de infeção, segundo o mais recente boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Relativamente a sexta-feira, há mais 13 mortos (+0,9%) e mais 257 casos de infeção (+0,8%).

O número de pessoas hospitalizadas desceu de 529 para 514, das quais 63 se encontram em unidades de cuidados intensivos (mais uma).

O número de doentes recuperados é de 19.186.

Sofia Santana / atualizada às 15:06