Vítor Borges, investigador do Instituto de Saúde Ricardo Jorge, disse esta segunda-feira que a mutação adicional da variação Delta, conhecida por ter efeito na diminuição à sensibilidade aos anticorpos, não está a ser disseminada em Portugal.

O investigador avançou à TVI dados preliminares do INSA que mostram que essa mutação corresponde a 2,5% de todos os casos de infeção pela variante Delta, ou variante indiana.

Esse perfil mutacional não tem disseminado. Ainda só foram reportados 157 casos à escala global. Na amostragem que estamos a fazer em junho, pelos dados que já temos, esse perfil só contou até agora para 2,5% de todos os casos da variante Delta. Portanto, isso são boas notícias", referiu o investigador, em entrevista. 

A mutação em causa, K417N, foi enlencada como um argumento para o Reino Unido retirar Portugal da lista dos países seguros para viajar. 

Ainda que o investigador tenha assumido pouca prevalência desta mutação adicional no país, o cientista do Instituto de Medicina Molecular, Miguel Castanho, afirmou esta segunda-feira que a ideia da imunidade do grupo com 70% da população vacinada contra a covid-19 está “completamente desactualizada” porque a vacina não protege contra a infecção e a transmissão do vírus.

Sobre se deve existir uma alteração do objetivo da task-force para o verão, Vítor Borges diz que "é algo que pode estar a ser equacionado".

Obviamente, esta variante traz riscos acrescidos por ser uma variante altamente transmissível e, como vimos, a eficácia da primeira dose apenas não é tão elevada, quando comparada com a variante Alpha (do Reino Unido). Julgo que estão a ser postas todas as medidas para que a vacinação continue com um ritmo acelerado, especialmente dentro dos escalões etários mais vulneráveis", sublinhou, destacando que uma evolução da fasquia para cima dos 70% "não é algo que possamos dizer nesta fase".

De acordo com dados do INSA, a variante Delta, ainda que tenha um perfil de maior transmissibilidade e de escape ao sistema imunitário, "não partilha a mutação associada a uma maior transmissibilidade" - uma mutação na proteína Spike, que faz a interação com as células humanas. "Não tem também a mutação mais associada ao escape do sistema imunitário, a mutação 484", explica o investigador.

O vírus está sempre em evolução e sempre a surpreender com novas combinações e há que manter este trabalho de o descodificar", afirma.

Em comparação com a variante Alpha, a efectividade desta variante após a toma de uma dose é inferior em 18% e Vítor Borges acredita que, à medida que se vai tornando mais prevalente, vão existir mais casos em pessoas vacinadas.

No entanto, remata, a prevenção na hospitalização após a administração das vacinas contra a covid-19 continua a ser bastante elevada nas duas variantes (Alpha e Delta) - a primeira dose é eficaz em 78% a impedir um agravamento da doença, um valor que sobe para 94% quando finalizada a vacinação