A ministra da Presidência anunciou, na quarta-feira, que estavam proibidos arraiais e festas populares, mesmo que fossem promovidas informalmente por estabelecimentos com licença para funcionar.

Porém, Graça Freitas defendeu, esta quinta-feira na conferência de imprensa diária, que nada impedia uma esplanada de ter música, grelhador e sardinhas, desde que fossem cumpridas as diretrizes de proteção da saúde pública. 

Nada impede uma boa esplanada e que essa mesma esplanada tenha música, que seja acompanhada de um grelhador e de umas belas sardinhas, desde que se cumpram as regras de distanciamento. As coisas podem fazer-se, mas com regras". 

A diretora-geral da Saúde referiu que, neste momento, já estão a funcionar “esplanadas ótimas, com muitas pessoas”, que cumprem as regras e por isso “o risco é mínimo”, mas também existem espaços onde “os riscos são demasiados”.

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Surtos em freguesias de Lisboa e Vale do Tejo

Marta Temido revelou na conferência de imprensa de quarta-feira que existiam 13 surtos ativos na região de Lisboa e Vale do Tejo, sendo um deles em Arroios. Esta quinta-feira a presidente da junta desmentiu essa mesma informação. Jamila Madeira, secretária de Estado Adjunta e da Saúde, quando confrontada com esta situação, confirmou que se tratou de um lapso.

Nós temos alguns surtos em alguns pontos que têm uma correspondência com um código postal e no caso de Arroios houve um lapso que já foi identificado e que naturalmente pedimos desculpa pelo facto”, afirmou.

Sobre a testagem massiva nesta região, Graça Freitas esclareceu que os trabalhadores da construção civil representaram 10% dos casos positivos, enquanto que os trabalhadores temporários, os lares e os agregados familiares apresentaram percentagens entre os 4 e 5 por cento. 

Referiu ainda que a política de testagem deve ser "dirigida" para zonas preocupantes, como é agora o caso de Lisboa e Vale do Tejo, mas isso não significa que se tenham parado de fazer testes nas restantes regiões do país. 

A política de testagem deve ser orientada” tendo em conta os diferentes “momentos, contextos e situações de risco”, explicou.

A diretora-geral da Saúde anunciou ainda que neste momento só existem duas crianças internadas e nenhuma em Unidade de Cuidados Intensivos devido à Covid-19.

Jamila Madeira disse que o Governo iria reforçar as equipas do Serviço Nacional de Saúde, com um investimento de 504,4 milhões de euros, ou seja, mais 4,5% do que o valor inicialmente previsto no Orçamento do Estado para 2020. Isto vai permitir contratar profissionais até dezembro e integrar os contratados na fase de estado de emergência.

Prevemos, assim, a contratação de mais profissionais de saúde até dezembro, bem como a integração dos profissionais que foram contratados na fase de emergência. Ou seja, teremos um acréscimo de 4,5% face ao Orçamento aprovado para 2020”.

Para os portugueses que estão a viajar nos dias feriados, a governante apelou ao sentido cívico da população para que se mantenha o cumprimento das regras de distanciamento, proteção individual e higienização.

A todos os que usufruem destes feriados para viajar e gozar alguns dias de merecido descanso com a família podemos dizer, aproveitem. Mas dizemos também que cabe a cada um de nós continuar a assumir nas nossas vidas esse mesmo sentido de responsabilidade cívica, que tivemos em momentos anteriores, e continuarmos agora em todos os momentos e contexto mantê-lo com disciplina e do cumprimento das regras de distanciamento, proteção individual e higienização. Solidariedade no trabalho por respostas sociais em rede, e assertividade nas ações de detenção e contenção”, afirmou.

Portugal regista esta quinta-feira 1.504 mortes relacionadas com a Covid-19, mais sete do que na quarta-feira, e 35.910 infetados (mais 310).

Cláudia Évora / Atualizada às 18:03