Os Açores podem vir a pedir vacinas à Rússia, à China e aos Estados Unidos.

O vice-presidente do Governo Regional assumiu que esta possibilidade está em cima da mesa, caso a União Europeia não dê luz verde ao pedido oficial enviado ontem a Bruxelas, para que todos os habitantes do arquipélago sejam vacinados o mais depressa possível.

O receio dos Açores são as variantes do coronavírus, sobretudo a estirpe inglesa, que nos últimos dias levou ao aumento súbito do número de novos casos: de 0 passou-se para 34, todos em São Miguel.

“Ontem tivemos 25 casos da variante inglesa e, naturalmente, que isso nos preocupa muito. Por isso mesmo, entendemos pedir a solidariedade europeia”, disse Artur Lima, vice-presidente do Governo Regional dos Açores, à TVI.

Com o índice de transmissão perigosamente perto de 1, o Governo Regional não está disposto a esperar mais pelo quinhão de vacinas que lhe cabe no plano português e europeu e quer a inoculação total da população o mais depressa possível. Para isso, está disposto a ir buscar vacinas onde quer que elas estejam disponíveis.

O primeiro passo do Executivo presidido pelo social-democrata José Manuel Bolieiro foi enviar um pedido formal à comissária europeia da Saúde para que todos os açorianos sejam vacinados o mais depressa possível.

O presidente do Governo Regional alerta que apenas seis por cento dos habitantes do arquipélago receberam a primeira dose e invoca o estatuto ultraperiférico e insular dos Açores para pedir a intervenção da Comissão Europeia.

Caso este pedido não tenha resposta positiva, Artur Lima já sabe a quem pedir vacinas.

“Iremos fazer o contacto com os Negócios Estrangeiros para, ao abrigo do acordo de Cooperação e Defesa, pedirmos aos Estados Unidos vacinas para todos os açorianos. E faremos os acordos que forem possíveis com quem quer que seja”, acrescentou, questionado se a Rússia e a China seriam opções.

Os açorianos não esquecem o impacto terrível que outras epidemias tiveram no pequeno espaço do arquipélago. Os tempos são outros, é certo, mas há noção de que o sistema regional de saúde dificilmente aguentará um grande crescimento da pandemia.

Rolando Santos