O Reino Unido anunciou na quinta-feira a retirada de Portugal da lista verde de países seguros para viajar. A justificar estavam 68 casos da chamada variante indiana, que, afinal, eram apenas 12

O presidente da Sociedade Portuguesa de Virologia, Paulo Paixão, disse à TVI que não havia necessidade de se "levantar todo este alarme" por ser "absolutamente escudado". 

Esta dita variante, que no fundo tinha uma mutação dentro de uma variante, faz parte de um conjunto de muitas outras que levantam alguma preocupação (...) mas é algo que é para ser monitorizado e não para levantar todo este alarme. É absolutamente escusado."

 

Não tem qualquer sentido, porque se formos por aí, então os britânicos têm de ficar em confinamento todo o verão, porque eles têm várias variantes de preocupação", acrescentou. 

O especialista contou que quando recebeu a notícia, mesmo sem saber qual era a variante em questão, percebeu que se tratava "de uma jogada política ou económica" por parte do governo de Boris Johnson. 

Não havia conhecimento nenhum a circular na Europa sobre alguma variante que implicasse maior preocupação que as outras que estavam a circular", reforçou. 

Paulo Paixão defendeu que esta mutação não acrescenta nenhuma inquietação adicional e vê nesta decisão uma "pretexto para justificar aquilo que o governo britânico quer: concentrar o turismo no seu país". 

Relembrou que as vacinas podem ser "ligeiramente" afetadas por algumas variantes, não com todas, mas mesmo assim a proteção contra doença grave está sempre garantida.