No dia em que a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) aprovou a vacina Oxford-AstraZeneca para uso em todas as faixas etárias na União Europeia, o presidente francês Emmanuel Macron afirmou que esta era "quase ineficaz" para pessoas com mais de 65 anos.

Macron acrescentou que "os primeiros resultados que temos não são encorajadores para pessoas da faixa etária dos 60 a 65 anos em relação à AstraZeneca".

A TVI sabe que Portugal ainda está a ponderar se vai autorizar a administração da vacina no grupo etário, num momento em que o Reino Unido e os os reguladores médicos britânicos garantem veemente a eficácia do fármaco.

É já na próxima terça-feira a data prevista de chegada de 113 mil doses da vacina da Astrazeneca a Portugal, mas, neste momento, a Comissão Técnica de vacinação para a covid 19, um organismo na dependência direta da DGS, ainda não tomou a decisão.

O problema para alguns reguladores europeus é que afirmam que o número de infetados no ensaio da AstraZeneca com mais de 65 anos é baixo e não permite tirar conclusões sobre a eficácia da vacina. Apenas duas das 660 pessoas nessa faixa etária foram infetadas pelo novo coronavírus.

Outras farmacêuticas, como a Pfizer, incluíram pessoas mais velhas no início dos ensaios clínicos, garantindo mais dados científicos sobre este grupo.

Dessa forma, vale a pena entender qual o ponto de situação no semáforo europeu.

 

França, Alemanha e Espanha ( e nove países ) impedem vacinação a pessoas com mais de 65 anos

Esta semana, o regulador de saúde francês afirmou que não há ainda dados suficientes sobre a eficácia da vacina AstraZeneca para pacientes com mais de 65 anos de idade.

Esses dados chegarão nas próximas semanas. Enquanto isso, recomendamos o seu uso para menores de 65 anos”, disse a Agência Francesa para a Segurança de Produtos de Saúde, recomendando que a dose seja apenas administrada a profissionais de saúde e pessoas vulneráveis ​​entre os 50 e os 65 anos.

Também na semana passada, a comissão de vacinas da Alemanha disse não ser possível recomendar o uso da vacina em pessoas com mais de 65 anos.

Numa entrevista a um canal televisivo, a chanceler alemã disse que "todas as vacinas são bem-vindas na União Europeia"

Na terça-feira, as autoridades de saúde da Polónia fizeram anúncios semelhantes e o ministro da saúde da Bélgica disse que a vacina, por enquanto, só seria dada a pessoas com menos de 55 anos. A agência italiana de medicamentos também apenas aprovou a vacina para todos os adultos com menos de 55 anos.

Pelo mesmo caminho seguiram as autoridades da Irlanda, Dinamarca, Áustria, Noruega, Grécia e Eslovénia.

Embora a farmacêutica tenha origens suecas, as autoridades de saúde deste país não abriram exceção para aplicação da vacina em pessoas mais idosas.

A Agência Europeia de Medicamentos considera que a vacina da AstraZeneca é segura e fornece uma boa resposta imunológica”, disse a Agência Sueca de Saúde Pública em comunicado. “No entanto, ainda não há dados sobre a eficácia da vacina na proteção contra a doença covid-19 grave em grupos de idade mais avançada.”

Por outro lado, cientistas da Universidade de Oxford disseram que a vacina pode provocar uma queda "substancial" na disseminação do vírus, de acordo com um estudo ainda não publicado formalmente.

 

Reino Unido com luz verde

O Reino Unido defende a utilização da vacina da AstraZeneca, apontando para a sua eficácia e corroborando com os dados da fase final de ensaios clínicos da eficácia da sua vacina que indicam que esta dá “100% de proteção” para casos graves, hospitalizações e mortes.  

Em comunicado divulgado pela farmacêutica, o vice-presidente executivo, Mene Pangalos, afirma que os novos dados “voltam a confirmar que a vacina (AstraZeneca) previne casos graves (do novo coronavírus) e mantém as pessoas fora do hospital”.

A diretora-executiva da Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido sublinha que as evidências atuais “não sugerem qualquer falta de proteção contra a Covid-19 em pessoas com 65 anos ou mais. Os dados que temos mostram que a vacina produz uma forte resposta imunológica em pessoas com mais de 65 anos. ”

Boris Johnson, o primeiro-ministro, concorda.

A vacina produz uma resposta imunológica em todas as faixas etárias, como uma boa vacina, estou confiante sobre isso”, adiantou em conferência de imprensa.

Cada país da União é livre de decidir a quem as vacinas devem ser administradas, a partir do momento em que recebem o aval da UE.

A Espanha também já anunciou que não irá administrar a vacina da AstraZeneca a pessoas com mais de 65 anos. A decisão foi tomada por um Comité de saúde pública do Sistema Nacional de Saúde da Espanha, composto por especialistas do governo central e dos diversos representantes regionais. A comissão, no entanto, ainda não decidiu se o limite de idade para esta vacina deve ser reduzido para os 55 anos. Fontes presentes na reunião de quinta-feira disseram que o assunto será discutido novamente.
 

A decisão implica uma revisão do governo espanhol do seu plano de vacinação e adicionar um novo grupo prioritário para receber a vacina Oxford-AstraZeneca, da qual 1,8 milhão de doses devem chegar en fevereiro. A fase 1 da campanha de imunização, que está em andamento, visa residentes e funcionários de lares, tal como profissionais de saúde da linha de frente e pessoas com necessidade de assistência diária que não vivem em uma unidade de saúde. Porém, muitos residentes do serviço social têm mais de 65 anos, o que significa que não poderão receber a vacina AstraZeneca. 

O antigo coordenador da Task Force para a vacinação nacional contra o novo coronavírus adiantou no final do mês de janeiro que a vacina da AstraZeneca chega a Portugal no dia 9 de fevereiro "Chegarão cerca de 113 mil doses, salvo erro, no dia 9 de fevereiro", disse, na altura, Francisco Ramos.

Em conferência de imprensa, foi ainda adiantado que o país tem garantidas 2. 214.000 doses até final de março, sendo necessárias 1.642.000 doses para vacinar por completo 800 mil pessoas e 520 mil para iniciar a vacinação. 

Será possível atingir este objetivo com as doses que temos contratadas com a Pfizer, a Moderna e a vacina da AstraZeneca, afirmo Ramos.

Vacina da AstraZeneca eficaz na redução da transmissão do vírus

A vacina Oxford-AstraZeneca pode evitar que as pessoas espalhem o novo coronavírus, de acordo com um novo estudo publicado esta quinta-feira.

É a primeira vez que uma vacina demonstrou interromper a transmissão do vírus, além de oferecer proteção contra os sintomas graves da doença.

Realizado pela Universidade de Oxford, o estudo baseia-se em testes semanais a pessoas que já foram inoculadas pela vacina e teve o objetivo de perceber se os vacinados ainda carregavam algum vestígio da doença.

Além de mostrar uma queda na transmissão, o estudo constatou que uma única dose da vacina oferece proteção efetiva de 76% por três meses. Isso significa que quase oito em cada 10 pessoas que receberam a vacina não ficaram doentes após a tomada da dose.

Se este estudo - que não foi publicado formalmente - estiver correto, significa que a maioria das pessoas que são vacinadas protegem também outras pessoas, porque não estão efetivamente a transmitir o vírus.