Portugal vai receber menos 400 mil vacinas da Janssen em agosto do que estava previsto, anunciou hoje o vice-almirante Gouveia e Melo.

“Temos tido algumas preocupações com a chegada de vacinas. Ontem à tarde tive a má notícia de que, em agosto, quando estavam previstas chegar 600 mil vacinas da Janssen, devem chegar cerca de 200 mil.”

O coordenador da task-force do plano de vacinação contra a covid-19, que está a ser ouvido no Parlamento, confirmou que o Ministério da Saúde está "a tentar compensar estas quebras" com "aquisições" de vacinas a outros países.

Para as próximas duas semanas de vacinação, o vice-almirante avisou que vai haver "poucas primeiras doses", porque há muita gente para levar a segunda dose, e, depois, será invertida a lógica. 

Gouveia e Melo anunciou que Portugal tem "entre 64 a 65%" da população com uma dose da vacina e "entre 49 a 50%" com vacinação completa.

"Avançámos fortemente nas segundas doses da Astrazeneca, porque a maior atividade pandémica era uma preocupação", afirmou, acrescentando que, entre as mais de um milhão de pessoas que tomaram esta vacina, entre os que já podiam adiantar a segunda das 12 para as 8 semanas, só faltam vacinar "cerca de 72 mil".

A task-force continua a ter a "expectativa" de ter 70% da população com a primeira dose "entre 8 e 15 agosto" e com a vacinação completa "entre 5 e 12 de setembro".

"O processo tem tido altos e baixos em termos de ritmo de entrega das vacinas e vamo-nos adaptando. Esta semana vacinámos acima das 95 mil pessoas por dia. Nas outras duas semanas passadas, vacinámos um total de 1,7 milhões pessoas."

A faixa etária dos 50 anos só tem 4% de pessoas por vacinar, "contando com os infetados", na faixa dos 40 anos faltam 11%, na faixa dos 30 anos faltam 25% e, na faixa dos 20 anos, foram vacinadas com pelo menos uma dose cerca de 30% dos jovens.

Quanto aos menores de 18 anos, de acordo com Gouveia e Melo, "vacinamos abaixo se a DGS deixar".

Férias não mexem no plano

Questionado pelos deputados sobre a vacinação nas férias e a possibilidade de se poder receber a segunda dose em lugar diferente, Gouveia e Melo considerou impossível concentrar uma percentagem tão elevada de pessoas para a segunda dose, por exemplo, no Algarve.

“O intervalo entre doses é de um mês. Acredito que os portugueses conseguem flexibilizar os agendamentos para garantir que conseguem receber as duas doses no local de residência, evitando problemas”, afirmou.

O responsável considerou ainda que alterar a situação “tornaria o processo impossível de controlar” e que “a infraestrutura para manter processo de vacinação sofreria muito”.

Catarina Pereira