Pedro Santos Guerreiro, no habitual espaço de análise “Primeira Mão”, relatou as condições em que os profissionais de saúde trabalham em Portugal para combater a pandemia de Covid-19.

O sistema está a exigir muitíssimo aos seus profissionais de saúde. Há hospitais que estão muito mais apetrechados do que outros. É o caso do Hospital de São João, no Porto, e Curry Cabral, em Lisboa. Mas há hospitais no interior onde já começam a faltar camas”, revelou.

Para o jornalista, é fundamental que as pessoas compreendam a “importância de ficar em casa para conter o contágio.

Nós vemos os números de infetados e de mortos e, quando comparamos com outros países, confirmamos que nós estamos com valores muito mais baixos. Isso está a ajudar a que as pessoas relaxem demasiado”, disse.

Muitos dos médicos estão a trabalhar com equipamento especial de proteção, que lhes retira mobilidade, levando a que demorem o dobro ou o triplo do tempo a prestar cuidados de saúde.

Era bom que a pessoas percebessem como é que eles estão a trabalhar. Eles não estão só a trabalhar horas em fim. Eles estão a trabalhar com equipamento próprio, com fatos que são pesados, quentíssimos, e eles estão horas e horas sem tirar os fatos.”, explicou.

Devido à natureza contagiosa da doença, retirar o fato não é uma opção, nem mesmo para as necessidades mais básicas.

Estão horas sem poder tirar os fatos, estão horas sem poder comer, estão horas sem poder beber. Mais, estão horas sem poder ir à casa de banho. Há médicos e enfermeiros que, neste momento, usam fraldas para se protegerem e para não irem à casa de banho.”

Pedro Santos Guerreiro deixou ainda uma palavra de agradecimento a todos os profissionais que, de uma forma ou de outra, combatem os efeitos do coronavírus em Portugal.

Há uma série de profissionais que nos estão a salvar, ao país inteiro. São pessoas que estão a trabalhar muito, a quem não foi dado nenhum subsídio de risco, por exemplo. Nós vamos ficar devedores a estes profissionais de saúde”.

Pedro Santos Guerreiro / JGR