Paulo Paixão, Virologista da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova, explicou este domingo que, a ser necessário, o Governo deve optar por um confinamento seletivo, em detrimento de um confinamento total como o que Portugal viveu durante a primavera.

O especialista afirma que esta escolha tem como base as consequências económicas, sociais e psicológicas na população. “O confinamento tem virtudes, mas muito defeitos. O isolamento. As crianças e jovens sem escola”. 

Quando tiver de ser, um confinamento seletivo tem muito mais lógica", afirma.

Com base na literatura científica, Paulo Paixão não acredita que a segunda vaga tenha um grau de perigosidade maior do que na primeira. Porém, a propagação do vírus vai ser mais frequente e é expectável que nas próximas semanas ultrapassemos os mil casos diários.

A propagação do vírus vai ser mais frequente, mas agora estamos melhor preparados do que no início da pandemia. Ainda assim, os mil vão ser atingidos e até ultrapassados”, afirma.

Se as previsões durante a Primavera eram de um verão significativamente mais calmo, os últimos meses mostraram-nos, afirma o virologista, que “vamos passar para um período pior partindo de um nível basal muito pior do que esperávamos”.

As mutações que o vírus tem sofrido não parecem indicar “uma alteração de perigosidade”, ainda assim, “isto não significa que a pandemia esteja mais ou menos amena”. Embora, o número de novos casos de infeção esteja a ter um aumento nas faixas etárias mais novas, a mortalidade pode vir a subir através da passagem do vírus dos mais jovens para os pais e os avós.

Para combater um aumento na mortalidade, Paixão diz ser indispensável resolver problemas básicos - “e que já deveriam ter sido resolvidos” - nos lares de terceira idade, onde está “a nossa população de maior risco”.

Se não forem alteradas estruturas nos lares de terceira idade, coisas tão simples como dois ou três idosos no mesmo quarto, a mortalidade vai continuar a ser significativa”, afirma.

Paulo Paixão acredita ainda que em 2021 o país vai poder respirar um bocadinho graças à possível vacina, no entanto o mesmo não se vai aplicar ao resto do mundo, argumenta o virologista.

Como é que se vai vacinar na Índia, na América do Sul?”, interroga o especialista.