Se pudessem escolher, 35% dos portugueses tomavam a vacina da Pfizer. A vacina da Pfizer foi a que gerou mais confiança nos portugueses, seguindo-se a da AstraZeneca e da Moderna.

Esta é a conclusão de um estudo realizado em fevereiro e março pelo ISAG – European Business School e pelo Centro de Investigação em Ciências Empresariais e Turismo da Fundação Consuelo Vieira da Costa (CICET-FCVC).

A investigação releva ainda que, independentemente da marca, os inquiridos estão confiantes na decisão de tomar a vacina: 9 em 10 portugueses desejam ser vacinados.

O estudo analisou a perceção que os portugueses têm das diferentes marcas de vacinas contra a covid-19. Para tal, pediu a mais de 1.000 inquiridos para selecionarem a marca da vacina que tomariam, no caso hipotético de poderem escolher.

Dos 87,2% dos inquiridos que queriam ser vacinados, 37% afirmaram que não tinham posição firmada sobre a seleção da marca, e as preferências dos restantes foram claras: 34,9% tomariam a vacina da Pfizer, seguindo-se, a larga distância, a vacina da AstraZeneca (8,7%), a da Moderna (5,6%), e a das restantes marcas existentes no mercado (1,2%). 

Os resultados não têm nada a ver com a eficácia comprovada das vacinas mas, antes, com a perceção que as pessoas têm de cada uma das marcas, explica à TVI24 Vitor Tavares, um dos coordenadores do estudo:

As perceções são criadas por motivos de ordem racional e de ordem emocional, têm a ver com os valores que as marcas transmitem e com a forma como as pessoas as percecionam. No caso da Pfizer trata-se da maior farmacêutica, com uma história com mais de 100 anos, que já produziu muitos antibióticos. É uma marca que as pessoas associam à eficácia, ao rigor, à transparência e à confiança. É uma marca com uma grande notoriedade."

 

Por outro lado, a AstraZaneca tem sido prejudicada por uma série de erros de comunicação que pouco têm a ver com a sua eficácia, comprovada pelas autoridades científicas:

A AstraZeneca cometeu vários erros de estratégia. Os atrasos sucessivos nas entregas, o facto de não ter feito testes com idosos e de ainda não ter sido aprovada pela entidade americana, tudo isso gerou desconfiança, sobretudo num momento em que as pessoas estão muito ansiosas e já revelam uma certa fadiga pandémica."

De acordo com este especialista em marketing, a AstraZeneca terá agora de "fazer um esforço muito grande para repor a verdade e conquistar a confiança dos cidadãos", uma vez que a marca foi muito abalada por estas falhas.

Isso mesmo é comprovado pelo estudo. As três marcas com peso mais relevante em termos de preferência foram mesmo aquelas em que o total dos inquiridos revelaram depositar maior confiança: 68,2% indicaram confiar ou confiar plenamente na BioNTech – Pfizer, 60,3% na Oxford – AstraZeneca, e 60,1% na Moderna – National Institute of Health.

Por outro lado, a maioria dos inquiridos apontou não ter opinião sobre as menos divulgadas marcas CureVac (58,3%) e Sanofi – GSK (57,1%) e ainda sobre a Janssen Pharmaceutiva NV (54,4%), que só muito recentemente foi aprovada pela Agência Europeia do Medicamento.

"Ficou, no entanto, muito evidente que a quase totalidade dos inquiridos pretende tomar a vacina contra a covid-19, e que há um sentimento de confiança relativamente à mesma, independentemente da marca selecionada”, avançam os investigadores Victor Tavares e Paula Rodrigues, responsáveis pelo estudo e especialistas em gestão da marca. Apenas 12,8% não querem receber a vacina contra a covid-19

De facto, entre os inquiridos que tomaram ou pretendem tomar a vacina, 76% indicaram que essa decisão é muito importante para si e 51,6% que não seria uma decisão difícil. Para além disso, 45,7% referem que não sentem qualquer insegurança a optar pela toma da vacina. Os inquiridos estavam também conscientes dos benefícios da vacina, já que 49,6% concordaram que não a tomar colocará a sua vida em risco, e 54,7% que, sem a vacina, será provável que fiquem infetados.

As pessoas estão confiantes nos benefícios da vacina a curto e a longo prazo", confirma Vítor Tavares. "Querem voltar a andar na rua e retomar a sua vida normal, e querem poder circular e viajar sem constrangimentos e em segurança, sem colocar em risco a sua saúde."
 

Entre os que têm mais dúvidas em relação às vacinas estão as mulheres e o grupo dos 16 aos 40 anos. 

Maria João Caetano