A morte de uma jovem de 19 anos com covid-19 veio levantar novas questões sobre o perigo da doença nos mais novos. Maria João Brito, diretora da Unidade de Infecciologia do hospital Dona Estefânia, esteve, esta terça-feira, na TVI24, para esclarecer algumas das questões mais frequentes entre os portugueses.

A especialista lembrou que a doença da Sars-Cov-2 é muito mais rara na idade pediátrica, que vai dos zero até aos dezoito anos, uma vez que estão mais preparados para lidar com o vírus uma vez que têm “menos recetores” e, por isso, acabam por transmitir o vírus com uma frequência muito menor.

Sobre se as doenças de risco nas crianças são iguais às dos adultos, a médica explicou que, apesar de as crianças também poderem ter todas as características de um grupo de risco, a “a taxa de mortalidade em idade pediátrica é muitíssimo inferior em comparação com a idade adulta”.

Questionada sobre se a reabertura das escolas tem contribuído para o aumento do número de casos nesta segunda vaga, Maria João Brito revelou que “nunca se chegou a provar” que as escolas sejam centros de contágio, apesar de “tradicionalmente” serem as crianças a infetar os adultos.

Carlos Neto, professor e investigador da Faculdade de Motricidade Humana, também esteve presente no “Segunda Vaga”, onde afirmou que “a médio e a longo prazo” vão existir repercussões na vida das crianças, “particularmente do ponto de vista emocional”.

As crianças vivem numa situação de grande sofrimento, neste drama existencial que estamos a viver. Estiveram confinadas em casa e agora estão confinadas na escola. Era suposto que voltassem à escola para estar com os amigos e tivessem uma socialização como de deve ser”, explicou o pedagogo.

O investigador revelou que há um "medo generalizado” em relação ao toque, que acredita ser fundamental nas idades mais jovens. Principalmente numa altura de pandemia, onde as crianças necessitam de desenvolver o sistema imunitário.

As crianças vivem numa pandemia do medo. Parece que as crianças vivem em hospícios ou em quarteis”, frisou.

Esta terça-feira, na rúbrica “Tive Covid-19”, Francisco Mota, presidente da Juventude Popular, deu o seu testemunho, naquele que é o seu “primeiro dia de liberdade”, sobre o período em que esteve infetado com a covid-19.

O jovem político agradeceu aos profissionais de saúde que o trataram, classificando-os como “heróis”. Francisco Mota contou que passou pela doença “entre os pingos da chuva”, tendo apenas sintomas “muito leves”, com dor de cabeça e perda do olfato e do paladar.

No espaço  “Hora da Verdade”, uma parceria entre a TVI e o jornal Observador, o jornalista Pedro Raínho analisou uma teoria partilhada nas redes sociais que afirma que o escritor C.S. Lewis, autor das “Crónicas de Nárnia”, previu a pandemia de covid-19 em 1942.

O excerto em questão, não foi, na verdade, escrito por C.S. Lewis, mas sim pela autora da publicação que percorreu as redes sociais. Inspirada pelo autor, a mulher escreveu um diálogo entre dois demónios. Portanto, na escala da hora da verdade, esta alegação está errada.

No espaço de dúvidas sobre a covid-19, o advogado Telmo Semião e a médica de Saúde Pública Vânia Gonzaga responderam a algumas das perguntas mais frequentes dos portugueses. Portugal deverá começar o plano de vacinação a 5 de janeiro, mas há já muitas dúvidas quanto à capacidade de vacinação das autoridades portuguesas.

Um espetador perguntou sobre se as pessoas ilegais em Portugal não vão ter acesso à vacina. Vânia Gonzaga esclareceu que essa parte ainda não está definida, mas que, à partida, é preciso identificar esses cidadãos, algo que nem sempre é fácil no grupo em questão.

Um outro espetador questionou Telmo Semião sobre se é possível pedir mais apoios, depois de terminado o subsídio de desemprego. O especialista explicou que, depois de perdido o subsídio de desemprego, é possível pedir um subsídio de desemprego social.