O programa desta quinta-feira focou-se na possibilidade de os idosos que residem em lares passarem a época natalícia em casa. Manuel Caldas de Almeida, médico geriatra, esteve esta quinta-feira, no “Segunda Vaga”, para responder a esta questão.

O vice-presidente da União das Misericórdias alerta que o vírus, nesta fase, “está com uma grande agressividade”. Para já, quem for passar o Natal em casa terá de ter feito um teste à covid-19 e 14 dias de isolamento.

As pessoas ao irem a casa, há um número elevado de idosos que vão ficar positivas. Por isso, acreditamos que vamos ter pessoas positivas dentro dos lares, algo que queremos evitar”, frisou.

Para o médico, esta pode mesmo ser “a última grande batalha” para os lares de idosos. Manuel Almeida considera que têm vindo a ser ganhas várias batalhas contra a covid-19, mas sublinha que a guerra ainda não foi ganha.

Estamos na reta final. Seria muito perigoso abrandar o ritmo do combate à covid-19.”, sublinhou.

Ricardo Pocinho, presidente da Associação Nacional de Gerontologia Social, acredita que as novas normas, que serão conhecidas esta sexta-feira, irão ser pautadas “pelo bom senso”, e, dessa forma, não permitir que os idosos vão a casa no Natal.

Sobre a ideia de que qualquer idoso pode decidir por si, Pocinho discorda da ideia quando se tratam de pessoas que estão dependentes do lar e, assim sendo, podem pôr em risco a vida dos funcionários das instituições.

É sempre extraordinário falar do sofrimento dos mais velhos, e é normal, são muitos meses de isolamento, mas é preciso lembrarmos o esforço contínuo em que têm estado os funcionários”, rematou.

Para Ricardo Pocinho, mais importante do que estar à espera de normas e regras, é imperativo gerir a situação com “bom senso”. O presidente da Associação Nacional de Gerontologia Social sublinha que não se pode pedir aos idosos que vão a casa e façam isolamento no regresso ao lar, quando muitos dos lares não têm condições para fazer esse isolamento.

É preciso olhar para este Natal como um Natal completamente diferente”, garante.

É a notícia do dia: Emmanuel Macron está infetado com a covid-19. O presidente francês esteve reunido esta quarta-feira com António Costa, que já afirmou que será testado esta quinta-feira.

Vasco Ricoca Peixoto esclareceu que “seria necessário perceber” em que circunstâncias aconteceu este contacto entre António Costa e Macron, uma vez que, cumpridas as normas de segurança, “é possível que não sejam contactos de alto risco”.

O médico de Saúde Pública considerou, no entanto, que o gabinete do primeiro-ministro deverá ter em conta a “questão comunicacional” e a mensagem enviada aos portugueses, caso António Costa não passe por um período de isolamento profilático.

Se isolássemos todos os médicos que tivessem contatos de baixo risco, perderíamos muitos médicos”, frisou.

Sobre se é possível os lares proibirem os idosos de ir passar o Natal com as famílias, o constitucionalista José Luís Moreira da Silva lembrou que isso apenas é possível através de decreto do estado de emergência.

No espaço de fact-check “Hora da Verdade”, uma parceria entre a TVI e o Observador, o jornalista Pedro Raínho analisou uma publicação feita nas redes sociais que afirmava que a Suécia, país que tem ganho notoriedade pela abordagem menos restritiva no controlo da pandemia, está a registar a média mais baixa de óbitos dos últimos dez anos.

O jornalista esclarece que, de facto, a Suécia apresenta um número de óbitos ligeiramente abaixo da média dos últimos dez anos, apesar de já no ano anterior ter vindo a registar um decréscimo no número de óbitos. No entanto, por ainda faltar um mês para acabar o ano e estar em curso uma pandemia mundial, este conteúdo é classificado como enganador, de acordo com a escala da “Hora da Verdade”.

Recorde-se ainda que o parlamento vai esta quinta-feira discutir e votar o decreto presidencial que prolonga o estado de emergência até 7 de janeiro. Uma das grandes novidades deste decreto é o crime de desobediência. Quem violar as normas desta declaração do estado de emergência, incorre num crime punível com uma pena de prisão entre um a dois anos ou uma multa de 120 a 240 dias.