O Natal está quase a chegar e, este ano, terá de ser forçosamente diferente. Carlos Antunes, matemático e professor da Faculdade de Ciências das Universidade de Lisboa, analisou, esta terça-feira, no Segunda Vaga, a eficácia das medidas de restrição aplicadas em Portugal.

O programa começou por recuperar o estudo “Christmas 2020 Unboxing”, que revelou que 71% das pessoas vai passar o Natal em casa, com apenas seis pessoas à mesa, contrastando com os números de 2019, que dão conta de que apenas 44% passava o Natal em sua casa e, quando o fazia, tinha 12 pessoas à mesa.

Um cenário idêntico é esperado para a passagem de ano, com 81% das pessoas em casa com apenas cinco pessoas, por oposição aos 51% das pessoas em casa com dez pessoas em 2019.

O matemático Carlos Antunes analisou o gráfico da incidência de novos casos de covid-19 em Portugal, assegurando que o pico da pandemia em Portugal “já passou com toda a certeza”. Ainda assim, considerou que os números se mantêm “muito elevados”.

Já se tinha verificado uma desaceleração. O que o estado de emergência veio fazer foi intensificar essa desaceleração. Estamos a desacelerar de uma forma muito mais lenta do que em março, quando atingimos o pico da incidência”, frisou.

Sobre um possível alívio das restrições para o Natal, Carlos Antunes frisou que um corte colocaria os números da covid-19 em Portugal entre os “cinco mil e os quatro mil e 500” diários, algo que, considera, é “insustentável” por exercer uma pressão demasiado alta no SNS.

Por isso, o especialista espera que as medidas restritivas se mantenham, apesar de acreditar que poderiam ser um pouco mais brandas, caso todos as cumprissem. Ainda assim, Carlos Antunes apela ao bom senso na tomada de decisões, para que se tenha em conta tanto a saúde pública como a economia.

João Vieira Lopes, presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, também esteve presente no programa, expressando preocupação em relação às restrições do Natal.

O representante dos comerciantes lembrou que, para muitos negócios, o Natal representa uma faturação de 30% a 40%, algo que Vieira Lopes teme que venha a cair para mais de metade.

Pode até ser menos de metade. Vai depender muito da tendência natural dos portugueses em fazer as compras na última hora”, explicou.

O presidente da CCSP revelou também que, apesar de existir um aumento da faturação durante o período da manhã nos dias em que existem restrições, o aumento das compras matinais não compensa as perdas de faturação de um dia inteiro.

Na "Hora da Verdade", uma parceria entre a TVI e o jornal de Observador que visa escrutinar a veracidade de algumas das teorias ou notícias que circulam entre os portugueses, analisámos o efeito do confinamento e do uso de máscara para travar contágios.

O jornalista Pedro Raínho explicou os efeitos do confinamento na contenção de número de contágios por covid-19 e deu conta de um estudo publicado por uma universidade australiana que mostra a eficácia de vários tipos de máscara em parar a propagação de gotículas possivelmente infeciosas.

Já sobre os concelhos portugueses com mais casos de covid-19, subiu para 217 o número de concelhos acima do patamar de risco. Freixo de Espada à Cinta é o pior de todos. Vasco Ricoca Peixoto, médico interno de Saúde Pública, falou sobre a situação de alguns dos concelhos mais afetados e das medidas necessárias para inverter a situação.

É importante que haja medidas dirigidas aos concelhos mais afetados”, explicou. “É preciso compreender os momentos e os comportamentos que são responsáveis pelo aumento de casos nalguns concelhos.”

Esta terça-feira, no espaço “Tive Covid-19”, o convidado foi Manuel Heitor, ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior. O ministro contou tudo sobre o período em que esteve infetado, apesar de ter estado sempre assintomático.

O confinamento é uma altura de profunda humildade perante a ignorância onde todos estamos mergulhados”, afirmou.

Manuel Heitor revelou que esteve sempre em teletrabalho e que participou em várias reuniões durante o seu período de confinamento. Ainda assim, o ministro sublinha que o teletrabalho “não substitui o contacto presencial” e que a atual situação traz à luz o facto de o contacto social ser “imprescindível”.

Sobre como vai se o seu Natal, em ano de pandemia, o ministro afirmou que vai passá-lo “em família, mas com muito mais precaução”