Rui Tato Marinho, presidente da Sociedade Portuguesa de Gastroenterologista, esteve esta quinta-feira, no Segunda Vaga, para falar sobre a "redução drástica" do tratamento de outras doenças em tempo de pandemia.

Muitas pessoas têm medo de ir ao hospital devido à covid-19. O especialista sublinhou que é urgente que as pessoas confiem no Serviço Nacional de Saúde, chegando mesmo a afirmar que Portugal “é dos países mais bem preparados do mundo” para lidar com o novo coronavírus.

Holanda, Bélgica, e outros países nórdicos, geralmente apontados como exemplos a seguir em termos de políticas de Saúde Pública, “estão todos pior que nós”, afirmou o Rui Tato Marinho. Sobre os motivos que levam a essa diferença, o médico considera que a antecipação de medidas foi um ponto fundamental que evitou os números que se verificam nesses países.

“Mas creio que deve haver medidas mais restritivas. A segunda vaga está aí e, se ainda não está no pico, devemos atingir o pico em breve”, afirmou o professor. “No meu serviço, um dos maiores do país, temos, pela primeira vez, um médico infetado.”

O número de colonoscopias verificou uma forte redução durante o período de confinamento.  Apenas “daqui a uns tempos” é que os efeitos do confinamento serão conhecidos.

“Vão morrer mais pessoas por outras doenças do que por Covid. Pode demorar um ano, dois anos, para vermos as ondas de choque da covid-19. Há pessoas a morrer em casa que podiam ter sido salvas”, revelou o gastroenterologista.

Ana Paiva Nunes, coordenadora da Unidade de AVC do hospital de São José, diz ter sentido diminuições muito elevadas no número de pacientes que chega aos hospitais, com algumas unidades a referirem diminuições “acima dos 50%”.

“Isso não pode voltar a acontecer. Não podemos voltar a cometer os mesmos erros que na primeira vez. Na primeira vez, era justificado porque não estávamos preparados, agora temos de estar preparados”, frisou.  “Não há que ter medo de ir ao hospital em casos urgentes.”

A médica especialista sublinhou a importância de uma resposta rápida no caso de algumas doenças, como é o caso do AVC, onde as primeiras quatros horas são fundamentais para o paciente.

Sobre um possível aumento das restrições para conter a pandemia de covid-19, Ana Paiva Nunes remeteu para os especialistas de Saúde Pública.

“Não podemos achar que todos sabemos sobre restrições. Há pessoas especialistas nessa área, que têm como obrigação tomar decisões sobre isso.”, explicou.

Miguel Almeida, enfermeiro especialista em reabilitação, contou esta quinta-feira, no espaço “Eu tive covid-19”, a sua experiência com o vírus na primeira pessoa.

“Foi fisicamente muito desgastante, mas foi mais desgastante a nível emocional e psicológico, porque tinha toda a minha família confinada em casa”, revelou.

O especialista falou sobre a experiência de estar confinado com a família em casa e disse “ter a sorte” de poder fazer o isolamento com a restante família com cada membro no seu quarto, com acesso à internet. Podendo continuar a estudar e a trabalhar enquanto passavam pelo período de quarentena.

Eunice Carrapiço, diretora ACES Lisboa Norte, esteve no programa para analisar a reação dos Centros de Saúde à segunda vaga, que sublinhou terem tido “uma rápida capacidade de adaptação”.

“O que foi feito foi o reforço das equipas em tempo recorde. Tivemos um reforço do equipamento e tivemos obras nos centros de Saúde”, afirmou. “É seguro e as pessoas devem ter confiança em ir aos Centros de Saúde.”