O Sindicato dos Enfermeiros denunciou esta terça-feira que há queixas, em todo o país, sobre “pressões ilegítimas” sobre estes profissionais para não apresentarem o formulário da Segurança Social para apoio a filhos menores de 12 anos e comparecerem ao trabalho.

Na queixa enviada à Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE), o sindicato afirma que, numa fase de pandemia do covid-19, estas denúncias prendem-se com a exigência de apresentação ao trabalho “mesmo sem garantir a segurança e proteção dos filhos (cônjuges que pertencem a setores essenciais, familiares pertencentes a grupos de risco, creches que não recebem os menores, entre outras questões)”.

Existem algumas direções de recursos humanos que parecem querer substituir os conselhos de administração e nomeadamente os enfermeiros diretores e isso não podemos permitir”, lê-se na queixa, assinada pelo presidente do sindicato, José Correia Azevedo.

A estrutura sindical acrescenta que “neste tempo difícil, este assédio moral sobre os trabalhadores enfermeiros, e não só, veio acrescentar ‘stress’ extra e aumentar a entropia num Serviço Nacional de Saúde (SNS) frágil e depauperado”.

O sindicato acrescenta que já foi pedida na segunda-feira à Autoridade para as Condições no Trabalho (ACT) uma inspeção “a um centro hospitalar”, mas que “não querem sobrecarregar mais os poucos inspetores nesta fase difícil” da pandemia do Covid-19.

Agradecemos assim, que os vossos esclarecimentos ou notas informativas sejam enviada para todas as instituições do SNS, através do Ministério da Saúde ou com urgência”, pede o sindicato aos seus associados.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia de Covid-19, já infetou mais de 1,3 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 73 mil.

Dos casos de infeção, cerca de 290 mil são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O continente europeu, com cerca de 708 mil infetados e mais de 55 mil mortos, é aquele onde se regista o maior número de casos, e a Itália é o país do mundo com mais vítimas mortais, contabilizando 16.523 óbitos em 132.547 casos confirmados até segunda-feira.

Em Portugal, segundo o balanço feito na terça-feira pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 345 mortes, mais 34 do que na véspera (+10,9%), e 12.442 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 712 em relação a segunda-feira (+6%).

Dos infetados, 1.180 estão internados, 271 dos quais em unidades de cuidados intensivos, e há 184 doentes que já recuperaram.

Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 2 de março, encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março e até ao final do dia 17 de abril, depois do prolongamento aprovado na quinta-feira na Assembleia da República.

Além disso, o Governo declarou no dia 17 de março o estado de calamidade pública para o concelho de Ovar.

. / Publicado por Cláudia Évora