Mais de um terço dos portugueses considera que a covid-19 é mais grave do que na realidade é. No polo oposto, apenas 13% continua a pensar que o vírus é menos grave ou mesmo inofensivo. São dados que podemos retirar da sondagem realizada pela Pitagórica para a TVI e para o Observador.

Quisemos perceber exatamente o que pensam sobre a atuação das autoridades da saúde, sobre o plano de vacinação e quando é que acham que a chamada normalidade pode voltar de facto.

Nesta sondagem, 50% dos inquiridos acha que Portugal está pouco ou nada preparado para enfrentar a covid-19.

Na amostra da Pitagórica, as entidades ou instituições com melhor avaliação no combate ao vírus são o Presidente da República, o Serviço Nacional de Saúde e o primeiro-ministro, António Costa.

Também com nota positiva, mas sem direito a quadro de honra, ficam a ministra da Saúde, Marta Temido, e a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas.

Na avaliação dos portugueses, chumbam a Comunicação Social e, em jeito de autocrítica, a própria população.

Quase um ano depois, a eficácia de uma vacina traz a luz ao fundo do túnel. Mas, mesmo isso, não reúne o consenso dos inquiridos.

A maioria acredita que Portugal está razoavelmente preparado para executar o plano de vacinação já em janeiro. Mas 32%, quase um em cada três portugueses ouvidos na amostra considera que o país não tem essas condições.

O ceticismo quanto ao futuro também é visível na opinião dos inquiridos na sondagem da Pitagórica. Praticamente 80% acredita que, mesmo que as primeiras vacinas sejam administradas em janeiro, o regresso à normalidade deverá demorar mais de meio ano.

Dezassete por cento tem a convicção de que o país terá condições para retomar a atividade pré-pandemia até ao início do verão.

Para esta sondagem da pitagórica para a TVI e o jornal Observador, o trabalho de campo decorreu entre os dias 10 e 13 de dezembro. Foi recolhida uma amostra total de 629 entrevistas, com um grau de confiança de 95,5% a que corresponde uma margem de erro máxima de 4,0%. A seleção dos entrevistados foi realizada através de geração aleatória de números de "telemóvel", com uma taxa de resposta de 55,32%.

João Morais do Carmo