Uma utente do Metro de Lisboa fotografou, nesta manhã, a carruagem em que seguia e onde não era possível cumprir as medidas de distanciamento necessárias para evitar o contágio pelo novo coronavírus, muito menos o cumprimento da lotação máxima de dois terços.

As imagens foram divulgadas nas redes sociais e contam já com perto de 4.000 partilhas.

Linha amarela, hoje 25 de Junho, percurso Odivelas - Rato às 07:50. Se é para isto que implementaram novas medidas para Lisboa 'fuck it', não podiam estar mais longe de conhecer a realidade. Espero que fique desvendado o mistério para o aumento de casos em Lisboa", escreveu.

Sofia Figueiredo, 43 anos, vigilante de profissão, contou à TVI que tem sido assim praticamente todos os dias "nas últimas duas semanas", mas a situação vem a deteriorar-se desde o fim do estado de emergência, a 2 de maio.

O momento em concreto aconteceu pouco depois de ter entrado na estação de Entrecampos, às 07:50, e numa altura em que olhou para cada um dos lados da carruagem procurando uma saída com menos pessoas juntas. A composição vinha de Odivelas, um dos cinco concelhos da região de Lisboa mais atingidos pela pandemia de Covid-19, alvo de medidas excepcionais de confinamento, em direção ao Rato.

Vi que vinha cheio, mas não podia esperar pela composição seguinte, porque já tinham passado duas. Normalmente, deixo sempre passar as duas primeiras, porque vêm muito cheias", explicou.

Todos os passageiros tinham máscara, condição obrigatória para poder usar os transportes públicos, mas o ar era irrespirável.

Senti-me sufocada. E com receio. Trabalhei durante todo o estado de emergência e nunca tive receio, porque usava o meu carro, estacionava à porta do trabalho e não tinha contacto com ninguém. Mas agora, com as filas que há na ponte de manhã, uma vez que eu moro na Margem Sul, torna-se impossível viajar de carro e esperar uma hora na fila. Vou cheia de gel. Ando sempre com um frasco no bolso", contou.

Uma situação bem diferente diz viver nos comboios da Fertagus, onde o distanciamento é cumprido, ainda que beneficie do facto de não haver aulas presenciais para a maioria dos alunos.

Só por uma vez apanhei uma situação, quando o comboio esteve parado cerca de 15 minutos para retirada de um passageiro que viajava sem máscara", recordou.

No entanto, se a ida para o trabalho é difícil apenas quando chega a Lisboa, o regresso a casa nem sempre é fácil.

Ontem [quarta-feira] saí de Lisboa [estação de comboios de Entrecampos] às 20:20, depois de terem falhado três comboios [para Coina e Setúbal], às 19:55, 20:05 e 20:15", detalhou, admitindo que se tal tivesse acontecido à hora de ponta o cenário poderia ter sido bem diferente dentro da carruagem.

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Catarina Machado