A Organização Mundial de Saúde (OMS) informou, na quarta-feira, que está a investigar possíveis ligações entre a Covid-19 e uma doença inflamatória grave que afeta crianças, a doença de Kawasaki. Jorge Amil Dias, médico pediatra no Hospital de São João no Porto, esteve esta quinta-feira no Diário da Manhã da TVI para explicar o que se sabe em relação a este assunto.

O médico começou por esclarecer que a doença de Kawasaki" já é conhecida há muitos anos da comunidade pediátrica", "ocorre com alguma frequência" e nem todos os doentes precisam de cuidados intensivos.

No Hospital de São João, em cinco anos identificaram-se 25 doentes. Nenhum dos casos que reportei necessitou de cuidados intensivos."

O especialista frisou que esta doença tende a evoluir espontaneamente para a cura, mas que pode ter "algumas complicações". "Por isso exige vigilância médica e em alguns casos intervenção terapêutica", acrescentou.

Mas questionado sobre a relação entre o novo coronavírus e a doença, Jorge Amil Dias referiu que "estamos ainda numa fase de razoável especulação".

A situação epidemiológica e clínica vai mudando, todas as semanas vamos conhecendo dados novos. Só o tempo e o distanciamento é que nos irão mostrar qual a sua relevância", destacou.

De qualquer forma, os pais devem estar sempre atentos aos sinais que as crianças possam apresentar, como febre, dificuldade respiratória, manchas no corpo, vómitos, diarreia.

Recomendamos sempre aos pais que, perante uma criança com febre ou com sinais de não estar bem, que estejam atentos aos sinais de dificuldade respiratória, de prostração anormal, de aparecimento de manchas no corpo, de aumento acentuado de gânglios, de desidratação ou vómitos ou diarreia abundante", frisou.

O médico lembrou ainda que todas as doenças que já existiam continuam a ocorrer e que, perante esses sinais de alerta, a criança precisa de observação médica.

Tudo isso são situações que devem alertar os pais não porque a criança tenha Covid ou doença de Kawasaki, mas porque a criança está doente e precisa de observação médica. Convém não esquecer, e nunca é demais lembrar, que todas as outras doenças que já existiam continuam a ocorrer", concluiu.

Sofia Santana