O ex-presidente da organização ambientalista Quercus Hélder Spínola diz que há 20 anos detetou vestígios do poço de hidrocarbonetos agora descoberto no subsolo da central desativada da Empresa de Eletricidade da Madeira, tratando-se de um “crime ambiental”.

“Há mais de 20 anos, terá sido em 1998/99, estávamos preocupados na Quercus com algumas circunstâncias em relação ao funcionamento da Estação Térmica da Vitória. Uma delas tinha a ver com gases que saíam das chaminés e outra estava precisamente relacionada com alguns sinais de derrames de hidrocarbonetos na ribeira dos Socorridos, justamente de um tubo que vinha de uma caixa, associada a esta quantidade que foi encontrada”, recordou, em declarações à agência Lusa.

O biólogo acrescentou que na altura foi pedida uma visita à Empresa de Eletricidade da Madeira (EEM), quando era presidente do conselho de administração, Rui Relvas, entretanto falecido.

“Quanto fizemos a vistoria aos Socorridos encontrámos um tubo que vinha dessa caixa, não havia descargas contínuas, mas o que saía para a ribeira do tubo era basicamente água com vestígios de hidrocarbonetos”, explicou.

Hélder Spínola recorda-se de “ter ido a este local em concreto e ter levantado questões” sobre o problema.

Da parte da EEM, relatou, foi-lhe “assegurado que ali funcionava a tal caixa de separação de hidrocarbonetos que porventura viessem nalgumas águas, mas tudo funcionaria dentro do que seria adequado”.

Entretanto, “passado este tempo todo, descobre-se toda esta situação, que representa um caso que se arrastou na altura ao longo de muito tempo”.

Por isso, defendeu, é necessário agora “apurar responsabilidades”, despolui e conter a situação, percebendo até que ponto a contaminação é localizada ou se estende ao nível dos aquíferos que existem ali, com escoamento para o lado marinho.

“Mas temo que, com todo este tempo, existam já ali algumas contaminações que sejam difíceis de resolver”, admitiu.

O apuramento de responsabilidades, no seu entender, é fundamental, até para não ficar a ideia de que se pode fazer o que se quer e depois o tempo apaga esses erros.

“Se uma situação destas não der azo a um processo por iniciativa do Ministério Público, não sei o que poderá dar realmente azo para que se cumpra alguma justiça em termos ambientais”, acrescentou.

Para Hélder Spínola, “há que correr atrás dos prejuízos, dos danos ambientais”.

Em 17 de junho, o matutino regional Diário de Notícias avançou que a construção da Estação Elevatória de Águas Residuais dos Socorridos, no Funchal, está "suspensa" devido à descoberta, na base do desaterro da obra, de um poço de resíduos de combustíveis da antiga Central Térmica da Vitória, pertencente à EEM.

/ AM