O roubo violento é o crime que mais afecta os jovens entre os 10 e os 16 anos, quer como vítimas, quer como agressores. É na escola que estes crimes mais acontecem. Conclusão de um estudo da PSP, divulga esta terça-feira e citado pelo «Diário de Notícias».

A polícia analisou os 200 mil registos dos crimes ocorridos entre 2008 e 2009. Um estudo inédito que permitiu identificar perfis de vítimas e suspeitos, de modo poder actuar de forma mais eficiente.

De acordo com a análise policial, os furtos em e de veículos, roubos em residências e os assaltos de carteiras lideram a criminalidade em Portugal.

Perfil das vítimas

Das vítimas entre os 10 e os 16 anos, 90 por cento sofrem assaltos na via pública. Já na faixa-etária entre os 16 e os 27 anos os assaltos no interior de automóveis são o principal motivo de ataque. Neste escalão há ainda uma grande diferença entre sexos. Os homens são alvo de roubo violento nas ruas e as mulheres vítimas de carteiristas.

O roubo de carteiras afecta ainda as mulheres entre os 44 e os 61 anos. Os homens são o alvo preferencial dos assaltantes de automóveis.

Perfil do ladrão

De acordo com o estudo da polícia, 90 por cento dos suspeitos têm entre os 16 e os 44 anos.

A primeira experiência no mundo do crime está associada aos roubos na via pública. Os jovens entre os 10 e os 16 anos são os principais referidos neste tipo de criminalidade.

A faixa etária dos suspeitos entre 16 e os 27 dedica-se também a este tipo de crimes, bem como ao roubo de veículos e de casas. A hora de assalto varia entre as 18h20 e as 22h00 no que diz respeito aos furtos de automóveis. As residências são atacadas sobretudo entre as 07:00 e as 18:00.

A partir dos 44 anos a prática de crimes diminui bastante. Os ladrões nesta faixa etária dedicam-se maioritariamente ao roubo de casas.



Escolas são local de crime privilegiado

De acordo com a análise policial, «as áreas junto às escolas são o local onde acontece parte significativa deste tipo de crime».

Um resultado que não surpreende o ex-presidente da Comissão de Protecção às Vítimas de Crime. Caetano Duarte considera que «há uma realidade violenta nas escolas como se tem constatado pelas notícias que têm vindo a público», afirma o juiz-conselheiro, que elogia o estudo em questão.



Uma análise valiosa do ponto de vista policial, uma vez que «conhecendo, por exemplo, as horas do dia em que determinado crime é mais cometido, o perfil-tipo do suspeito que pratica esse crime, bem como as principais vítimas» é possível concentrar recursos para um combate mais especifico, refere Luís Fernandes, director do Departamento de Informação Policial, que coordenou este trabalho.

Já para o vice-presidente do Observatório para a Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo o facto de «cerca de 90% dos suspeitos terem entre 16 e 44 anos, e entre as 18:00 e as 21:00 ocorrer um pico na criminalidade» merece uma «actuação pró-activa, não só das polícias mas também dos cidadão», refere Paulo Pereira.
Redação / CMM