Um grupo de Vila Nova de Gaia lucrou 47 mil euros ao vender automóveis furtados com matrícula, número de chassis e outros elementos identificados de veículos sinistrados da mesma marca e modelo, acusa o Ministério Público (MP).

Criava-se assim a ilusão de que as viaturas resultantes teriam sido objeto de reparação”, precisa a acusação do caso que está a ser julgado no Juízo Central Criminal de Vila Nova de Gaia.

Num processo com cinco arguidos singulares e um coletivo, os principais acusados são um mecânico e dois filhos, que, segundo o MP, desenvolveram a atividade criminosa a partir de 2008 e pelo menos até 2013.

Uma das situações descritas no processo envolveu dois automóveis BMW 525, um dos quais sinistrado e sem viabilidade de reparação, em termos técnicos e económicos, que os três principais arguidos detinham em 2010.

Em maio do ano seguinte, compraram a desconhecidos e por valor não apurado, o segundo veículo do mesmo modelo que tinha sido furtado. E em junho venderam um BMW 525, provavelmente com peças do veículo furtado e elementos identificativos da viatura sinistrada, num negócio firmado por 32 mil euros.

Esse mesmo veículo viria a ser furtado já em 2013, em Canidelo (Gaia) por pessoas não identificadas, que o venderam aos três principais arguidos por valor desconhecido “mas seguramente muito inferior ao valor real”.

Outro caso reporta-se a um Renault Mégane sinistrado, comprado por seis mil euros, e a um segundo, do mesmo modelo, furtado, que resultou, após intervenção técnica dos arguidos, num veículo “novo”, com elementos identificativos do primeiro e a estrutura do segundo, que foi vendido por 14 mil euros.

Entre outras situações, o processo relata também tentativas de burla a seguradores e alegadas falcatruas com motores e caixas de velocidades.

Os três principais arguidos estão acusados pela prática, em coautoria, de 16 crimes de recetação, sete de falsificação de documento, quatro de burla qualificada, um de burla simples e um de descaminho de objetos colocados sob poder público.

Dois outros arguidos são acusados por falsificação de documentos.

O Ministério Público reclamou que os arguidos entreguem ao Estado os 47 mil euros que terão lucrado com os ilícitos.