O ciberbullying esteve em debate este sábado na TVI24, numa altura em que muitas figuras públicas se queixam de críticas agressivas nas redes sociais. O humorista Nuno Markl conta a sua experiência, revelando que se desligou do Facebook "porque aquilo era um antro de ódio".

Desde política ao futebol, o também radialista explica que foi um acumular de situações que acabou por levar à decisão. Questionado sobre qual a diferença para os dias de hoje, Nuno Markl afirma que ao início todos remavam para o mesmo lado, mas lamenta, dizendo que "a espécie humana é assim".

Assim que as pessoas perceberam que aquilo que podiam dizer de mal num restaurante podiam dizer para todo o mundo, foi uma bola de neve", diz.

No atual contexto de pandemia de covid-19, o humorista admite que muitas pessoas estão a passar por fases menos boas, acabando por descarregar a frustração nas redes sociais.

O próprio admite que esperava uma união das populações durante o confinamento, constatando que aconteceu precisamente o contrário.

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O psiquiatra José Gameiro começa por explicar que é muito mais fácil criticar uma pessoa sem ser cara a cara, sobretudo em Portugal: "Temos uma cultura de pouca frontalidade".

Nós somos o povo do nim. Nas redes sociais não há nins. Ou para baixo ou para cima", explica.

Para o especialista, a situação mais grave não é referente às figuras públicas ou aos adultos, mas sim às crianças.

Os adultos, apesar de tudo, têm mais capacidade de encaixe", refere.

José Gameiro afirma que, enquanto profissional, já viu "muitas pessoas destruídas pelas redes sociais". O profissional diz que a solução pode estar em "cortar o acesso" às redes sociais, sob pena de ficarem expostos.

A presidente do Instituo de Apoio à Criança, Dulce Rocha, revelou que muitos casos só foram conhecidos depois de terem ocorrido suicídios. Para a especialista, o desenvolvimento das redes sociais levou a um aumento do ciberbullying, até porque "as pessoas têm uma sensação de impunidade".

Falando de exemplos em concreto, Dulce Rocha refere que existem mesmo casos de crianças que deixam de ir à escola por estarem envolvidas em situações de ciberbullying.

A investigadora da Universidade de Lisboa, Susana Salgado, está a desenvolver um trabalho sobre as consequências das redes sociais em vários assuntos do dia a dia, focando-se na política em concreto.

O projeto desenvolvido compara Portugal com outros países, e tenta perceber quais as razões para que alguém partilhe uma publicação considerada falsa.

Susana Salgado explica que pode estar em causa o tema da mensagem ou as reações que a mesma vai provocar no auditório.

Várias mensagens não são filtradas e são partilhadas nas redes sociais. Grande parte desse conteúdo inclui discurso de ódio e são comentários que não respeitam, que diminuem", acrescenta.

António Guimarães