Um deslizamento de terras na Rua Damasceno Monteiro, em Lisboa, provocou esta segunda-feira danos em quatro edifícios de habitação e levou à retirada de 27 pessoas, confirmou à TVI fonte dos Sapadores de Bombeiros.

De acordo com fonte dos bombeiros contactada, o deslizamento afetou quatro prédios (do número 106 ao 110), tendo dois deles (o 106 e o 108) sofrido danos estruturais.

Na sequência do incidente, tivemos um ferido ligeiro, que não necessitou de deslocação ao hospital”, disse também fonte dos sapadores, em declarações à Lusa.

As autoridades estão a fazer uma “análise técnica” aos edifícios afetados, para verificar se há condições para o regresso dos moradores às casas, disse o vereador da Proteção Civil. 

Em declarações à agência Lusa, perto das 09:00, Carlos Castro adiantou que a Proteção Civil municipal e o Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa estão a fazer essa análise aos edifícios da Rua Damasceno Monteiro.

Estamos a aguardar pela análise mais técnica em termos de edificado para ver se há condições ou não de as pessoas voltarem aos edifícios”, disse à Lusa o vereador.

De acordo com o responsável, o alerta foi dado às 05:37 e quando as autoridades chegaram deram conta de um deslizamento de terras e da consequente queda de um muro.

"As terras avançavam em direção ao nosso edifício"

Carlos Castro adiantou ainda que, após o primeiro reconhecimento das condições de estabilidade dos edifícios, foi necessário retirar 27 pessoas de quatro edifícios, tendo havido apenas um ferido ligeiro - um homem que sofreu algumas escoriações.

A Lusa constatou no local haver alguns moradores a observar os trabalhos dos bombeiros cobertos com mantas vermelhas.

Ismael, um dos moradores do número 106, disse à Lusa que, por volta das 05:30/05:40, sentiu um abalo muito forte durante um período muito curto e quando foi à janela reparou que as garagens estavam rebentadas e que do chão parecia sair fumo.

Quando a minha mulher foi à janela das traseiras, viu que o muro que nos separa do condomínio que há na Graça tinha ruído e as terras avançaram em direção ao nosso edifício”, contou.

Outro morador, João (que também não quis dar o apelido), contou que sentiu um tremor por volta das 06:00, seguido de muito barulho, e pensou que fosse o rebentamento de gás num prédio próximo.

“A polícia foi muito rápida a chegar ao local e ajudou os moradores a saírem de casa”, disse.

O morador considera muito estranho este deslizamento ter ocorrido agora, pois não tem chovido.

Tem havido inspeções, não sei o que se terá passado, dá ideia de que foi construída uma piscina do outro lado e pode ter havido alguma infiltração que amoleceu as terras e fez pressão ao muro”, disse.

No local, estão viaturas dos Sapadores Bombeiros, uma ambulância do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), elementos da Proteção Civil e da Polícia Municipal.

Terra continua a deslizar

Seis horas depois da queda do muro, continuam a verificar-se pequenos deslizamentos de terra no local, constatou a Lusa.

O trânsito esteve cortado e foi reaberto às 13:00. O perímetro de segurança foi reduzido e apenas abrangia àquela hora os quatro prédios afetados. A eletricidade, a água e o gás dos quatro prédios (com quatro pisos, entre rés—do-chão e terceiro andar) também foram já cortados.

A agência Lusa foi até à Vila da Graça e viu que o muro que cedeu está a cerca de cinco metros de uma piscina exterior construída no condomínio privado.

Entretanto, o vereador da Proteção Civil da Câmara de Lisboa, Carlos Castro, reconheceu que o muro – cujo proprietário desconhece - terá de ser reconstruído.

Terá que ser feita uma nova intervenção nesta área, mediante aquilo que é necessário para garantir segurança e para que as pessoas possam regressar”, afirmou, adiantando não saber se o regresso dos moradores às suas casas está para breve ou não.

O vereador assegurou, contudo, que a Proteção Civil municipal está a trabalhar para o caso de os afetados terem de ser realojados.

Questionado sobre se o problema terá tido origem na piscina do condomínio, Carlos Castro considerou que “não vale a pena estar com especulações”, referindo não saber se a piscina está posicionada no local onde se verificou o aluimento.

O que importa é ter uma análise técnica concreta do que se passou”, disse.

Sobre a possibilidade de o aluimento continuar, Carlos Castro disse não ter conhecimentos de engenharia que o possam confirmar, garantindo, no entanto, que os engenheiros da Câmara estão a analisar a situação.

No local, estão viaturas dos Sapadores Bombeiros, uma ambulância do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), elementos da Proteção Civil e da Polícia Municipal.

/ CF e MM - Atualizada às 13:31