O presidente do Benfica deverá ser ouvido esta quinta-feira em primeiro interrogatório judicial na sequência da sua detenção, na quarta-feira, no âmbito de uma investigação a alegados crimes de burla qualificada, fraude fiscal e branqueamento.

Luís Filipe Vieira é uma das quatro pessoas detidas, que, segundo o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), são suspeitas de estarem envolvidas em “negócios e financiamentos em montante total superior a 100 milhões de euros, que poderão ter acarretado elevados prejuízos para o Estado e para algumas das sociedades”.

Vieira vai ser defendido por Magalhães e Silva, advogado do Padre Manuel Crespo, no processo das FP 25 que, esta quinta-feira sublinhou que o dirigente está “sereno” e “tranquilo” à espera de ser ouvido pelo juiz de instrução criminal.

Está previsto que os quatro detidos sejam presentes a primeiro interrogatório judicial, do qual poderá resultar a aplicação de medidas coação, “com vista a acautelar a prova, evitar ausências de arguidos e prevenir a consumação de atuações suspeitas”.

A TVI sabe que, para além de Vieira, também o filho do dirigente; o milionário José António dos Santos - conhecido como o "rei dos frangos" - e o empresário Bruno Macedo - responsável pelo regresso de Jorge Jesus à Luz e pelas contratações de Everton ou Lucas Veríssimo - foram detidos

 

 

Em causa estão “factos ocorridos, essencialmente, a partir de 2014 e até ao presente” e suscetíveis de configurarem “crimes de abuso de confiança, burla qualificada, falsificação, fraude fiscal e branqueamento”.

O alegado esquema serviria para benefício de Vieira e do empresário José António dos Santos, em prejuízo do Benfica: na compra de ações da SAD encarnada, por parte do clube, que dariam uma mais valia de 11 milhões de euros ao empresário e amigo de Vieira, maior acionista privado, com 16,33 por cento do capital.

O negócio, no ano passado, acabou por ser travado pela CMVM, ao concluir que a OPA do clube sobre a SAD ia ser feita com fundos da própria SAD, numa operação no valor de 32 milhões de euros.

Antes disso, José António dos Santos, 79 anos, recomprara por oito milhões de euros a dívida que fora da Imosteps, de Vieira, ao Novo Banco, salvando assim o presidente do Benfica da insolvência, numa altura em que este se recandidatava à liderança do clube e da SAD - e precisava, para o efeito, de ter a sua idoneidade a salvo.

Acredita o Ministério Público que, em contrapartida, Vieira arranjou forma de, usando a sua posição de presidente do clube, conseguir que o amigo tivesse largos benefícios na venda de ações ao próprio Benfica, que tinha 67% da SAD do clube, querendo chegar aos 95%.

O “rei dos frangos” faria uma mais-valia de 11 milhões de euros, face ao investimento que fizera, mas o regulador da bolsa travou a operação por considerar a mesma irregular.

O Benfica reagiu ainda na quarta-feira à detenção de Luís Filipe Vieira e a direção disse estar “firmemente determinada” a defender os interesses do clube lisboeta, pouco tempo depois de a SAD ‘encarnada’ ter indicado que as funções do presidente serão "asseguradas nos termos previstos na lei e nos estatutos" da sociedade.

Redação / HCL / Lusa