Jorge Roque da Cunha, do Sindicato Independente dos Médicos, começou o debate com duras críticas à comunicação do Governo e da Ministra da Saúde, classificando-a de “propaganda”.

O secretário-geral do SIM exigiu do Governo “orientações claras” para os profissionais de saúde e para as pessoas.

A única preocupação do Governo, até ao momento, tem sido a propaganda”, apontou. “É impossível estarmos a pedir uma permanente distância de dois metros aos médicos”.

Muita da sua crítica foi focada na falta de recursos disponíveis por parte dos profissionais. Jorge Roque da Cunha elogiou a alta qualificação dos médicos, mas explicou que, neste momento, “estão no fim da linha”.

Nunca se investiu tão pouco na saúde como agora. Nunca as equipas de urgência estiveram tão no limite como agora. Por isso, qualquer abanão, e este é um abanão relativamente forte, merece a nossa atenção”, explicou o sindicalista.

Mário Durval, delegado de Saúde Regional Lisboa e Vale do Tejo, explicou que, para já, o maior problema para Portugal está na “inexistência de um tratamento específico” para o coronavírus.

Relembrou ainda a resposta “exemplar” dada por Portugal ao surto de gripe A, quando vários países tiveram vários casos e Portugal conseguiu estancar o vírus.

Sobre as atuais medidas, Mário Durval lembrou que, ainda esta sexta-feira, saíra “duas ou três novas orientações”, algo que tem que ver com a “própria evolução da epidemia”.

Guilherme Duarte, Associação Nacional de Médicos Saúde Pública, discordou com Jorge Roque da Cunha em relação à comunicação das autoridades.

Ultimamente, a comunicação tem melhorado bastante”, disse. “Começa a haver informação disponível aos profissionais”.

No entanto, concordou no que diz respeito à ausência de meios. Lembrando que, apesar de Portugal ter dado uma resposta exemplar ao surto de Gripe A, a falta de meios atual, pode levar a uma resposta diferente.

Isto é como o extintor que temos de ir renovando o prazo de validade, para quando tivermos um fogo o possamos utilizar com segurança”, explicou.

Jorge Roque da Cunha insistiu na qualidade dos profissionais de saúde e voltou a lançar uma farpa ao Governo.

Enquanto que nos vários países temos o governo a salientar o trabalho desses profissionais, em Portugal parece que temos algum receio”, criticou. “Ainda hoje o Eurostat disse que nunca se investiu tão pouco na saúde como agora”.

Todos os intervenientes afastam a ideia de alarmismo em Portugal. Mário Durval diz que, apesar de ser “quase incontornável” a chega do vírus a Portugal, o delegado relembra que “estão a ser adquiridas grandes quantidades de equipamento médico” para fazer frente ao surto.

A dimensão do problema depende da resposta que nós dermos”, garante.