Num debate sobre o racismo em Portugal, motivado pelo episódio do jogo entre PSG e Basaksehir, a judoca Rochelle Nunes disse na noite deste sábado que, infelizmente, a mentalidade racista continua bem presente, no desporto e não só, mas considerou que o atleta deverá sempre retirar uma conclusão positiva: "Você é sempre muito maior do que a pessoa que pratica o ato de racismo", sublinhou.

Já a deputada do Bloco de Esquerda, Beatriz Gomes Dias, diz que há um contexto de negação em que muitas pessoas recusam a prevalência do racismo e a forma como ele se vai perpetuando em Portugal. E acrescenta que é importante que a discussão seja tida com frontalidade e que todos observemos as dimensões em que o racismo opera na nossa sociedade.

O humorista Carlos Pereira, um dos poucos negros a fazer stand-up em Portugal, assinalou que, aos negros, cedo é dito o que podem ou não podem fazer. 

Cedo nos dizem o que é para nós e o que não é para nós", desabafou.

E dá o exemplo dos campos de futebol que são construídos junto aos bairros sociais, nunca campos de padel, como se fosse já um assumir das capacidades e dos gostos das pessoas que ali vão residir. 

O que Jorge Jesus diz, do racismo ser uma questão de moda, é perigoso", frisou.

Ao telefone, o constitucionalista Pedro Bacelar de Vasconcelos sublinhou que o racismo é um preconceito bem presente em Portugal e que acaba por determinar muitos dos comportamentos que são comuns na sociedade portuguesa, de Norte a Sul, e que devem ser combatidos. 
 

/ BC