A Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental de Vila Real-Sabrosa anunciou que a coordenadora do lar de Alijó foi suspensa até à conclusão do inquérito às acusações de maus-tratos a utentes.

Luís Correia, vice-presidente da APPACDM e diretor do lar de Alijó, afirmou aos jornalistas que a 16 de novembro a direção deliberou a abertura de um procedimento prévio de inquérito de averiguações após denúncia de uma funcionária sobre alegados maus-tratos a utentes de um lar residencial de deficientes em Alijó.  Em dezembro teve início o processo e hoje foi “suspensa preventivamente, até à conclusão do inquérito e do apuramento de responsabilidades, a coordenadora da resposta social”.

O caso foi denunciado publicamente, este domingo, numa reportagem da TVI, que mostrou imagens brutais e desumanas, que mostram como são tratadas pessoas com deficiências mentais no lar em Alijó.

Após a denúncia da TVI, está a decorrer uma investigação e o caso seguiu já para o Ministério Público.

A Segurança Social está também a acompanhar a situação. A Segurança Social informou que, “apesar das imagens referidas [na reportagem] não terem sido facultadas, o Instituto de Segurança Social tomou de imediato diligências no sentido de apurar a veracidade dos factos relatados e garantir a proteção e bem-estar dos utentes e colaboradores da instituição em causa”.

O Instituto de Segurança Social contactou de “imediato” o Centro Distrital de Segurança Social de Vila Real e enviou uma primeira equipa ao Lar Residencial de Alijó bem como uma equipa técnica de verificação rápida da Segurança Social.

As imagens mostradas este domingo pela TVI foram filmadas sem que um funcionário da instituição que assistia a tudo se apercebesse.

Isto é um depósito. Um curral. Eles estão ali num curral. Dignidade naquela casa não há, nem humanidade”, descreve Laura Ferreira Bastos, uma antiga funcionária do lar, que denunciou a situação.

 

Nunca pensei que fosse para aquela casa ver o que vi.”

Laura Ferreira Bastos começou a trabalhar para a instituição em agosto do ano passado, na altura em que começou a fazer os primeiros relatos à coordenadora do lar. Garante que as denúncias foram desvalorizadas e denuncia não só a conivência da coordenadora com os maus-tratos como a prática de situações de violência para com os utentes levadas a cabo pela própria responsável agora suspensa.

A instituição apoia cerca de 300 pessoas, com vários tipos de incapacidade, em três distritos diferente. No caso de Alijó, estão em causa 24 utentes, com idades compreendidas entre os 18 e os 50 anos, todos com deficiência mental.

Ana Leal / (atualizado 21:02)