O Novo Banco reagiu na tarde desta terça-feira ao relatório elaborado após a auditoria da Deloitte à atividade daquela instituição entre 2000 (quando ainda era BES) e 2018. No comunicado da entidade, é referido que "o documento final transmite a clareza e colaboração em que decorreu o processo de análise e confirma a forma transparente e competitiva com que o Novo Banco tem vindo a recuperar o seu balanço".

A instituição cita a nota enviada pelo Ministério das Finanças, destacando "os progressos realizados pelo Novo Banco”.

O Novo Banco totalmente empenhado em continuar o caminho traçado que permitirá cumprir na integra as indicações referidas no relatório de auditoria", acrescenta a nota.

O Novo Banco refere que a análise da Deloitte "evidencia a importância dos processos de alienação de ativos para a recuperação do balanço" do banco. A instituição ressalva que foram alcançadas melhorias operacionais que colocam aquela entidade numa posição sólida perante os seus clientes e o contexto económico.

A auditoria externa ao BES e ao Novo Banco revelou esta terça-feira perdas líquidas de 4.042 milhões de euros no Novo Banco e, segundo o Governo, o “relatório descreve um conjunto de insuficiências e deficiências graves” até 2014.

Segundo o Governo, o relatório revela perdas líquidas de 4.042 milhões de euros no Novo Banco (entre 04 de agosto de 2014, um dia após a resolução do BES, e 31 de dezembro de 2018) e “descreve um conjunto de insuficiências e deficiências graves” no BES, até 2014, na concessão de crédito e investimento em ativos financeiros e imobiliários.

O relatório da auditoria foi entregue pelo Governo ao parlamento, com a menção de confidencial, estando previsto ser divulgado ao público, mas com informação truncada.

Os serviços do parlamento estão a avaliar as partes abrangidas por segredo bancário ou outro e que serão retiradas da versão pública e também o Governo (através do secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares) irá indicar as partes que considera abrangidas por confidencialidade, disse à Lusa o presidente da comissão parlamentar de orçamento e finanças, Filipe Neto Brandão.

Já os deputados têm acesso integral ao documento através de computadores que tenham um ‘software’ de proteção da informação digital classificada, que rastreia a consulta.

Esta auditoria já foi motivo de confronto político, desde logo em maio último entre o primeiro-ministro, António Costa, o então ministro das Finanças, Mário Centeno, e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, depois de o chefe do Governo ter dito que a injeção de capital no Novo Banco só seria feita depois de conhecida a auditoria quando essa injeção já tinha sido realizada (no valor de 1.035 milhões de euros).

Já em junho e julho foram divulgados pela imprensa negócios de venda de ativos do Novo Banco que motivaram desconfiança dos vários quadrantes políticos e, em julho, o Governo disse que o Novo Banco não deveria realizar novas operações de venda de carteiras de ativos até a auditoria ser conhecida.

Nascido na resolução do BES (em 03 de agosto de 2014), 75% do Novo Banco foi vendido em outubro de 2017 ao fundo de investimento norte-americano Lone Star, mantendo o Fundo de Resolução bancário 25%, numa solução acordada entre Banco de Portugal e Governo.

Aquando da venda, foi acordado um mecanismo de capital contingente, que prevê que até 2026 o Fundo de Resolução compensa o Novo Banco por perdas de capital num conjunto de ativos que ‘herdou’ do BES até 3.890 milhões de euros.

Desde então e até hoje, o Fundo de Resolução já injetou 2.976 milhões de euros e ainda poderá colocar mais de 900 milhões de euros, valores que em cada ano têm impacto nas contas públicas uma vez que o Fundo de Resolução é uma entidade da esfera do Estado.

António Guimarães / com Lusa